NOVO DISCURSO
Ao dizer que a resistência do Brasil à crise não é ilimitada, a presidente Dilma Rousseff, sem tergiversar, colocou o cenário real da economia. O discurso recorrente anunciando que o país era uma ilha de prosperidade, longe do que está ocorrendo lá fora, era mais uma possibilidade do que fato. O consumidor já começa a perceber as mudanças: o dólar volta a subir e as contas já não fecham no fim do mês, como ocorria até bem pouco tempo. Mas é preciso considerar que a fala da presidente não foi um gesto pessimista. O que ela disse, e com razão, é que, num mercado global, nenhum país está blindado, o que exige responsabilidade coletiva, sobretudo das nações mais ricas, na busca de uma solução.
A primeira participação da presidente no mais importante fórum de discussão foi positiva também ao apontar a exigência do Brasil de ser incluído no Conselho de Segurança das Nações Unidas, cujo prazo de validade já venceu há muito tempo. Seus integrantes continuam fortes, mas não os únicos. O novo ordenamento mundial indica que o protagonismo não é exercido apenas por Estados Unidos, Grã Bretanha, França, China e Rússia. O Brasil e a Índia, que fazem parte do bloco emergente, têm dado provas de que é preciso garantir-lhes o acesso ao Conselho, mas com assento permanente.
Outro dado positivo foi a clara demonstração de sinceridade da presidente. Dispensando o discurso vazio, próprio para agradar a plateia ou não causar constrangimentos, ela não se furtou em colocar a questão palestina na mesa, algo que o Brasil, até bem pouco tempo, só adotava nos bastidores. Independentemente das reações, foi uma postura de um país que tem planos de protagonismo, saindo do muro que indica indecisão e mostra fraqueza na política externa.
Foi um avanço, sobretudo na questão econômica, pois é necessário enfatizar que, se houver uma pane, todos perdem; e quem tem mais perde mais ainda.











