Mais do que promoções, consumidor quer respeito
Respeitar o consumidor não deveria ser visto como obrigação legal a ser cumprida no limite, mas diferencial estratégico
Passadas as promoções relacionadas ao Dia Mundial do Consumidor, celebrado esta semana, fica a reflexão sobre a qualidade das relações de consumo no Brasil – um tema que, apesar de avanços significativos nas últimas décadas, ainda impõe desafios concretos à sociedade.
Desde a promulgação do Código de Defesa do Consumidor, o país consolidou um arcabouço jurídico robusto, aliado à atuação de órgãos de proteção, como os Procons, e ao fortalecimento de ferramentas digitais que ampliaram o acesso a informação e resolução de conflitos. Soma-se a isso a ampliação do acesso à Justiça, especialmente por meio dos Juizados Especiais Cíveis, conhecidos como “pequenas causas”, que democratizaram a possibilidade de reparação de danos.
Ainda assim, o cotidiano revela uma realidade que está longe do ideal. Práticas abusivas, falhas na prestação de serviços, dificuldades no atendimento e no pós-venda e a recorrente desconsideração às normas básicas de transparência e boa-fé seguem presentes em diversos setores. Não se trata apenas de episódios isolados, mas de um comportamento que, em muitos casos, evidencia a distância entre a legislação existente e sua efetiva aplicação.
Esse cenário é ainda mais paradoxal quando se observa o atual ambiente de mercado, marcado por intensa competitividade e consumidores cada vez mais informados e exigentes. Em um contexto assim, respeitar o consumidor não deveria ser visto como obrigação legal a ser cumprida no limite, mas como diferencial estratégico.
Empresas que compreendem essa dinâmica e investem em relações transparentes, atendimento de qualidade e soluções eficazes ao longo de toda a jornada – do primeiro contato ao pós-venda – tendem a construir vínculos mais sólidos com seu público. Mais do que evitar conflitos, essas organizações fortalecem sua reputação e se destacam em um mercado no qual a confiança se tornou um ativo valioso.
A Semana do Consumidor, portanto, deve servir como um alerta. Não apenas para consumidores, que precisam conhecer e reivindicar seus direitos, mas, sobretudo, para empresas e instituições, que devem assumir um compromisso contínuo com práticas mais justas e responsáveis. Afinal, o desenvolvimento de um mercado saudável passa, necessariamente, pelo respeito a quem o sustenta: o consumidor.









