FOGO AMIGO
A presidente Dilma Rousseff envereda-se pelo perigoso caminho de autorizar a blindagem de um ministro de Estado sob o argumento de que suas explicações – no caso, o aumento de patrimônio – foram suficientes para garantir sua idoneidade. Não foram, sobretudo pelo viés privado, pelo qual elas aconteceram. Na vida pública prevalece o princípio da mulher de César: não basta ser honesta, devendo demonstrá-lo cotidianamente. O chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, o mais influente membro do primeiro escalão, não terá sossego enquanto não esclarecer à contento as denúncias formuladas pelo jornal Folha de São Paulo. Mesmo que o assunto saia das manchetes, ele estará sob um permanente desgaste, que pode comprometer a sua própria atuação e a do Governo, ainda mais quando todos os indícios são de fogo amigo. Pela postura moderada da oposição, as suspeitas são de ação caseira em função da eterna briga pelo poder.
Quando presidente da República, e num período mais tenso do que hoje, pois o país havia tirado de cena um presidente eleito pelo voto direto, o senador Itamar Franco, diante de denúncias contra o ministro Henrique Hargreaves, também como Palocci um dos mais influentes do Governo, ordenou-lhe que respondesse a todas as denúncias fora do cargo. Em provando sua inocência, voltaria; caso contrário, teria que responder por elas. Hargreaves mostrou que seus delatores estavam errados e voltou ao posto livre de qualquer desgaste. Ao contrário, retornou mais forte e sob mea culpa de seus detratores.
O ministro Antônio Palocci, pela sua importância na organização do Governo e por ser o principal canal de acesso à presidente, deve indicar as fontes, mesmo que o faça para alguma comissão especial do Senado para evitar algum tipo de quebra de sigilo fiscal, mas não pode ficar calado esperando a poeira baixar. Em assim agindo, estará dando munição para a oposição – hoje sem uma bandeira para pressionar o Governo – e para os adversários internos, que agem sob o silêncio dos bastidores, mas muito mais próximo do que se possa imaginar.











