O fio da meada do Banco Master
Escândalo do Banco Master e as investigações da Polícia Federal causam preocupação em setores importantes de Brasília e no mercado financeiro
Há cerca de uma semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admitiu que o escândalo do Banco Master poderia ser o maior da história do Brasil. Sua observação se deu ao curso das investigações e está cada vez mais próxima do real. Esta semana, o Banco Central (BC) liquidou também a gestora de investimentos Reag, dobrando a aposta e indicando que não se intimidará diante das tentativas de desqualificar o trabalho técnico da fiscalização e os seus desdobramentos. Antes da decisão, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, visitou a sede da Polícia Federal para mostrar alinhamento das investigações.
Há muito pela frente, bastando acompanhar as discussões em Brasília e as resistências impostas aos agentes tanto do BC quanto da Polícia Federal. Em ato que causou estranhamento aos próprios pares, o ministro do STF, Dias Toffoli, primeiro deu uma bronca pública na Polícia Federal por não ter cumprido os prazos para execução de mandados por ele estabelecidos.
Diante da pressão, ele passou para a Procuradoria-Geral da República o material levantado pela PF, mas voltou a ceder na sexta-feira, quando acolheu argumentos de riscos de perda de provas na investigação. Em princípio, ele bloqueou o acesso dos agentes aos celulares dos envolvidos. O passo seguinte foi aceitar, mas com a condição de escolher os peritos que fariam a avaliação.
As ações do ministro causam desconforto, mas a investigação avança, pois os peritos por ele indicados – com um prazo mínimo de dois dias para o trabalho – são altamente qualificados, o que, mesmo com tantas restrições, está tirando o sono de muita gente, especialmente em Brasília.
O ministro cria não apenas desconforto, mas também coloca em xeque a sua condição de julgador final.
Com a liquidação da Reag, o cenário torna-se cada vez mais tenso, pois o BC e a Polícia Federal estão puxando o fio da meada. As resistências em gabinetes privilegiados de Brasília e de outros grandes centros, como a Faria Lima, em São Paulo, indicam que o desfecho poderá causar sérios danos a setores importantes do país e nas instâncias de poder.
Para retomar a discussão, é necessário lembrar que até o Tribunal de Contas da União, sem qualquer prerrogativa, se meteu no debate ao questionar a liquidação do Banco Master. O relator, ministro Jhonatan de Jesus, tomou atitudes incomuns e só recuou após a repercussão externa e os reparos dos próprios colegas do tribunal.
O caso do Master chama a atenção pelo jogo de forças que ele envolve. Há uma longa fila puxando para a frente, mas o lobby contra as investigações tem se mostrado mais atuante e com mais envolvidos, inclusive anônimos, que estão sem dormir ante o avanço da Polícia Federal, com grande poder de influência nas instâncias de poder.