FORA DO PALANQUE


Por Tribuna

17/08/2011 às 07h00

Ao sancionar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a presidente Dilma Rousseff vetou, por recomendação da equipe econômica, o artigo que previa a reserva de verba do orçamento do ano que vem para reajustes acima da inflação para os aposentados do INSS. O artigo previa que tais reajustes seriam definidos com as centrais sindicais e os representantes da iniciativa privada. Como justificativa, ponderou: não há como dimensionar previamente o montante de recursos a serem incluídos, uma vez que, até o seu envio, a política em questão poderá ainda não estar definida.

A justificativa não surpreende, pois as políticas de 2012 ainda estão em elaboração e o cenário internacional não permite projeções otimistas, mesmo com a garantia da Fazenda de que o país, de novo, passará ileso aos solavancos do primeiro mundo. O que não cabe é a diferença entre palanque e realidade. Na campanha do ano passado, a candidata Dilma Rousseff e também seus adversários fizeram uma série de propostas de interesse dos aposentados, por reconhecerem a importância do segmento, mas ninguém levou em conta que a economia mundial poderia mudar.

Mais uma vez, discurso e prática divergem, deixando os aposentados à espera do sugerido bônus, enquanto os que vão deixar o mercado de trabalho ficam ressabiados, principalmente se forem da iniciativa privada. O Governo não esconde que há estudos para rediscutir as aposentadorias, ora com ampliação das contribuições, ora com novos prazos para contagem de tempo.

De fato, ante as incertezas, não dá para fazer projeções, mas os políticos precisam ficar atentos ao que levam para o palanque, a fim de evitar o autodesmentido e a frustração dos sonhos dos que sempre esperam por dias melhores.