Jogo eleitoral começa depois do carnaval

Passado o carnaval, os políticos começam a definir as alianças


Por Paulo Cesar Magella

17/02/2026 às 06h00

Em meio a tantas discussões sobre o caso Master, agora sob relatoria do ministro André Mendonça, o carnaval é a fronteira com a política, pois, terminados os festejos, os políticos se voltam de fato para as eleições de outubro. As muitas conversas agendadas para depois de Momo entram na agenda, uma vez que agora não há mais margem para esperar definições.

Em Minas, o caso mais emblemático é do senador Rodrigo Pacheco. Na semana passada, ele teve uma conversa de meia hora com o presidente Lula, que reforçou o convite para sua candidatura ao Governo de Minas. O senador ficou de ouvir os aliados e deve dar uma definição nos próximos dias.

Tanto Lula quanto Pacheco sabem que o tempo está se esgotando, e o jogo de espera já incomoda não só o PT, legenda do presidente, mas também os possíveis aliados, como o União Brasil. Sob direção do deputado Rodrigo Pacheco, a legenda ainda não definiu a quem apoiar, embora no primeiro momento a opção era o vice-governador Mateus Simões. As fichas, agora, podem ser colocadas no senador, mas ele precisa se decidir.

No outro espectro político, embora o vice-governador Mateus Simões já esteja atuando como candidato e com aval do governador Romeu Zema, que lhe transferiu especialmente as prerrogativas administrativas, ainda há incertezas sobre as alianças. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, gostaria de ver o deputado Nikolas Ferreira na cabeça de chapa, mas este resiste e tem aval da bancada por ser hoje o principal puxador de votos. Sem ele, há o risco de o projeto proporcional se desidratar.

O senador Cleitinho Azevedo é uma incógnita. Ora dá sinais de aceitar a candidatura, mas em outros momentos prefere indicar um de seus irmãos para ser o vice em um projeto majoritário, que pode ser de Mateus Simões.

Há outros pré-candidatos, mas as fichas, por enquanto, estão sendo colocadas nos políticos filiados a legendas fortes, restando o MDB. O partido tem o maior número de prefeitos e vereadores e um candidato próprio, mas tudo indica que irá fazer composições. A questão é saber com quem.

O eleitor, por sua vez, tão logo cessem os tambores do carnaval, vai se dedicar um pouco mais a conhecer os nomes que estão sendo apresentados, mas tem menos pressa dos que os políticos, que dependem de composições. As ruas, de fato, só vão ganhar coloração eleitoral depois da Copa do Mundo. Até lá, a bola está com os partidos.

 

 

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