Saída de Dias Toffoli não para investigações do caso Master
Ministro Dias Toffoli deixar relatoria do caso Master e é substituído pelo ministro André Mendonça
A troca de relator no caso Master no STF, considerada justificadamente como uma suspeição velada, foi a forma encontrada para não só evitar o constrangimento dos pares com o ministro Dias Toffoli, mas também para a própria Corte, que está sob fogo cerrado da opinião pública em decorrência de ações e inações de seus membros.
O novo relator, ministro André Mendonça, tem grandes desafios à frente não apenas pela continuidade do inquérito, mas também pelo que fará para resgatar a imagem da instituição diante de um caso tão rumoroso. As ramificações do caso Master não se esgotam no ex-relator e muito menos no Supremo Tribunal Federal (STF). O empresário Daniel Vorcaro construiu uma rede que passa pelos Três Poderes e por diversas instâncias.
Com tantos nomes sob suspeição e outros que ora estão no clube da insônia por conta do que virá pela frente, o ministro terá que atuar com serenidade e mão firme, a começar pela relação com a Polícia Federal, bastante desgastada por conta das intransigências de Toffoli. Já na sexta-feira, ele chamou os delegados envolvidos na investigação para uma conversa, a fim de se inteirar dos fatos.
A troca de relator não foi um processo simples. De acordo com relatos amplamente divulgados já na sexta-feira, o ministro relutou em sair e só cedeu ao perceber que não teria respaldo nem mesmo de aliados históricos. Sozinho, impôs condições como a saída ter sido a seu pedido, e não por força das circunstâncias. Trata-se de mero detalhe, pois todas as leituras foram na direção contrária. Ele cedeu os anéis para não perder os dedos, porque corria o risco de ser considerado impedido de atuar no caso diante das suspeitas de envolvimento.
O país quer respostas para um caso de tamanha magnitude, e, com encontro marcado com as urnas em outubro, o resultado das investigações poderá comprometer mandatos e reeleições em um pleito de caráter geral. Com exceção de prefeituras e câmaras municipais, os demais mandatos estarão em jogo, e o eleitor, certamente, estará atento aos fatos.
Quanto ao STF, ele tem que superar demandas próprias. Um dia após a reunião, o site Poder360 publicou reportagem na qual são reproduzidas literalmente as falas dos ministros abrindo a suspeita de que eles foram gravados clandestinamente por Toffoli. Ele disse à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S, Paulo, que não gravou nem fez qualquer relato do encontro. Em seguida, levantou a suspeita de que algum funcionário do setor de informática pode ter feito a gravação. Como se vê, não bastasse o afastamento da relatoria, outra demanda cria mais tensão na Corte.