ÁREA ESTRATÉGICA
A indicação da economista Maria Helena Leal Castro para dirigir a secretaria de Saúde não é um projeto recente do prefeito Custódio Mattos. Em pelo menos uma outra ocasião ele cogitou o seu nome, mas ela, até então envolvida no saneamento da Fazenda, recusou a sugestão. Só agora, com as contas em dia, como informa o próprio Executivo, sentiu-se confortável para enfrentar um novo desafio. E põe desafio nisso, pois se trata de uma pasta estratégica e que tem envolvimento direto com as demandas da população. Seja no município, no estado ou na União, a Saúde vive o paradoxo da eficiência: quanto melhor os serviços oferecidos, maior a procura. Por isso, não há uma solução definitiva para o setor.
O fato de ser economista com especialização em saúde pública é uma vantagem, pois tira da secretaria o viés corporativo que, inevitavelmente, marca os titulares de tais pastas, já que, antes de serem políticos, têm uma profissão. Conhecem de perto os problemas, mas, geralmente, com raras exceções, têm pouca mobilidade para medidas traumáticas em função de mexerem na própria carne ou de estarem fechando portas para o futuro quando se volta ao mercado.
Ademais, Saúde é questão de gestão. Os maiores problemas estão no encaminhamento de demandas, de treinamento de quadros e de boa aplicação dos recursos. A despeito de todas as críticas que lhe possam ser feitas – e não são poucas -, o economista José Serra, quando tornou-se ministro da Saúde, mudou os parâmetros do setor e teve ousadia não só de desafiar o sistema, mas também de enfrentar as multinacionais quando quebrou patentes de remédios, como os de combate a aids.
os desafios locais são conhecidos, e o principal deles é o Hospital de Pronto Socorro. Mesmo com investimentos e medidas para sua otimização, ele ainda é, talvez por sua visibilidade, o nó górdio da administração, como também o foi de outros mandatos. Se vencer essa etapa, Maria Helena já estará com meio caminho andado.











