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Cartas na mesa

Na segunda etapa da campanha eleitoral, candidatos terão que chamar partidos para montarem as alianças, o que implica fazer concessões

Por Tribuna

10/10/2018 às 07h00

Nas primeiras conversas em torno do segundo turno, os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) ainda não abriram o jogo para os possíveis aliados. Primeiro, conversam para dentro, isto é, avaliam com os parceiros da primeira etapa o que pode ser feito para o pleito do dia 28, quando ambos estarão frente a frente na reta final da disputa. Mas, pelo que se ouviu até agora, o jogo de concessões é distinto. Bolsonaro, mantendo a retórica da campanha, diz que não negociará cargos, que serão ocupados por notáveis. Haddad sinaliza para o centro, corteja Ciro, mas deste deve receber apenas o apoio protocolar. O candidato do PDT vai levar um bom tempo para esquecer a articulação do ex-presidente Lula para esvaziar sua candidatura.

Seja qual for o jogo, os candidatos terão que conversar com os demais partidos. O petista terá que gastar mais a sola do sapato para tirar a diferença do primeiro turno quando há o histórico de nunca ter ocorrido uma virada. Ademais, há o voto consolidado do oponente. Haddad deve focar no Sul e no Sudeste, onde Bolsonaro teve sua melhor performance e ganha o respaldo de candidatos fortes aos governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

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Mas, se não for agora, a negociação de ambos os lados terá que ocorrer em algum momento, pois, fechadas as urnas, o que estará na mesa é a governabilidade. Enquanto prevalecer o modelo de presidencialismo de coalizão, não há que se falar em administrar um país ignorando o Legislativo, ou seja, a instância política. O que pode mudar, até mesmo para não comprometer o discurso, é o modo como essas conversas serão encaminhadas.
E aí há outro problema. O Congresso que emergiu das urnas terá 32 partidos na Câmara e no Senado, o que atrapalha ainda mais as negociações. Não há mais os grandes blocos, com os quais era possível discutir as questões de Estado sob a garantia de respaldo no Parlamento. Se essa sopa de letrinhas não se aglutinar, o presidente da República, seja ele quem for, terá que negociar no varejo e fazer concessões.

O mesmo raciocínio vale para os estados. Em Minas, embora tenha sido apeado do Governo, o Partido dos Trabalhadores terá a maior bancada na Assembleia, e se há uma coisa que o PT sabe fazer bem é oposição. O aviso tanto vale para Romeu Zema (Novo) quanto para Antonio Anastasia (PSDB), que já o teve como adversário quando governou Minas.

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