ALÉM DO DEBATE
O país continua em choque pelo massacre de quinta-feira no Rio e consumiu a sexta-feira procurando explicações para gesto tão extremo. Ações como a de Realengo, sem precedentes no Brasil, não têm uma explicação formal, embora os especialistas busquem algo para conter a ansiedade da opinião pública. O autor dos crimes não tinha antecedentes criminais, e a única pista era ser considerado estranho por uma irmã adotiva. Ele não deu margem, sequer, para um julgamento público, onde a catarse coletiva se faria presente. Com o suicídio, causou frustração geral.
No mesmo dia, as autoridades anunciaram uma série de medidas, como aumento da vigilância nas escolas, enquanto voltou às ruas a campanha do desarmamento. O caso em questão, no entanto, não tem link com a decisão das ruas de permitir o uso de armas legais. As primeiras evidências indicam que Wellington Oliveira (23) planejou sua ação nos mínimos detalhes na solidão de seu próprio mundo.
Na sociologia, onde não se trata de explicar, mas de compreender, a discussão vai além do debate comum. É preciso, agora, tomar precauções de olho no futuro, pois a imitação é um dos motes prediletos de quem tem predisposição ao crime. Se a discussão continuar e os meios de comunicação insistirem em usar mais a audiência do que o bom-senso, estarão contribuindo para outros que pensam como Wellington, que morreu, mas teve, talvez, a atenção que sempre lhe faltou.
Países como os Estados Unidos vivem experiências sistemáticas como as do Rio de Janeiro. É preciso, pois, tomar cuidado para que a experiência não se repita no Brasil. Mas não há soluções prontas, apesar de pretexto para a tomada de diversas providências. Embora a lei do desarmamento seja um fato, é preciso insistir em tirar as armas dos criminosos, mas é necessário também ampliar o debate educacional e as oportunidades no mercado de trabalho. Tudo isso, quando somado, cria o caldo de cultura que forma novos Wellingtons. E é isso que é preciso evitar.











