VOCAÇÃO E HISTÓRIA
A universidade pública enfrenta problemas de falta de recursos em todo o país. A situação não é diferente na Universidade Federal de Juiz de Fora, na qual várias obras de grande monta esperam para ser concluídas. O quadro se agrava, porém, quando as graduações são diretamente afetadas, ou seja, quando há um comprometimento em sala de aula ou em laboratórios cujos ensinamentos são básicos para o aprendizado.
Esta realidade é vivida pelos estudantes de odontologia do Campus de Governador Valadares, da UFJF, que denunciam com a falta de insumos para as aulas e afirmam que os materiais disponíveis estão vencidos. Ainda há informações de falta de laboratório de prótese e de um local que comporte as atividades clínicas, laboratoriais e de aula teórica. Sem condições para ter um ensino de qualidade, estes estudantes iniciaram uma greve no último dia 29 e acamparam na Reitoria da UFJF, na última segunda-feira. Ontem, buscando dar ainda mais visibilidade a um problema do meio acadêmico, protestaram no Pórtico Norte da instituição, afetando o trânsito de veículos.
A luta destes estudantes é legitimada a partir do momento em que o pacto do Estado não é cumprido com este grupo. Fazer valer os seus direitos é o que eles buscam. A sociedade se acostumou a ver greves de outras categorias, como docentes e técnicos. No entanto, são agora os estudantes que buscam esta prerrogativa. O movimento estudantil também se tornou simbólico no país, haja vista as ocupações ocorridas nas escolas estaduais de São Paulo, que culminaram com os alunos conquistando suas reivindicações contra o fechamento de várias instituições.
Agora, a bandeira destes estudantes na UFJF é pela manutenção do alto nível de nossa instituição pública federal. Mesmo enfrentando problemas em sua longa trajetória no país, o ensino das federais ainda é reconhecidamente efetivo. Mas as lutas por este ensino público, gratuito e de qualidade devem persistir. Para isso, a comunidade acadêmica tem mesmo que quebrar seus muros, inserir-se da melhor forma na sociedade e convocar os cidadãos para entender as suas adversidades, evitando, assim, o sucateamento desta instituição, que deve ser sinônimo, por sua vocação e história, de formação de cidadãos críticos e profissionais qualificados.









