IR ADIANTE
A queda do ministro Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes não encerra o episódio que culminou com sua saída do Governo, pois seria a forma mais risível de se resolver um problema: coloca-se o suspeito para fora e tudo volta à normalidade. Esse, normalmente, é o raciocínio das instâncias políticas, que entendem ser a demissão suficiente para superar os impasses. O ex-ministro Antonio Palocci, que aumentou seu patrimônio em 20 vezes durante quatro anos, caiu por conta da denúncia, mas o assunto saiu da mídia, e a investigação, certamente, também foi para o limbo. Talvez seja esse o raciocínio do ex-ministro e de seus colegas de partido, pois a legenda vai continuar dando as cartas no Ministério, e ele próprio, que voltará a ser senador, participará do processo de indicação de seu sucessor.
Espera-se, porém, que haja desdobramentos em função da gravidade das denúncias formuladas e de tantas outras ainda no forno. Em Juiz de Fora, a construção da BR-440, ligando a Cidade Alta ao Centro da cidade, é cercada de rumores sobre os seus custos. Trata-se, segundo as primeiras suspeitas, de uma quilometragem com valores bem acima da cotação do mercado. O Tribunal de Contas, que já recolheu os documentos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, terá acesso a esses dados e deve tomar as providências.
Neste caso, não se trata de ser contra ou a favor da rodovia, que agora está, pelo menos no trecho já construído, em situação irreversível, mas é preciso levar em consideração, além das demandas ambientais pendentes, o quanto, de fato, está sendo consumido num empreendimento nem tão expressivo se comparado com outras estradas. A transparência na administração pública não é nenhuma virtude, mas é uma obrigação dos responsáveis o trato com o dinheiro público.











