QUEBRA DE SIGILO
A ordem direta da presidente Dilma para que seja investigada a quebra de sigilo de sua correspondência eletrônica se faz mister, pois a ninguém é dado o direito de invadir a privacidade alheia, sobretudo da presidente da República – salvo por ordem judicial -, mas é necessário considerar que as autoridades também devem ser comedidas no uso desse meio para evitar tais ações. Sendo crime ou não, a indiscrição dos hackers é uma realidade do mundo virtual. Nos EUA, o presidente Barack Obama foi recomendado a tratar apenas de questões triviais pelo e-mail, a fim de se preservar. Recomenda-se o mesmo à presidente.
A sofisticação da rede mundial tornou o mundo sem segredos, como bem mostraram os responsáveis pelo WikiLeaks, que revelaram documentos após terem acesso aos arquivos secretos da diplomacia americana, causando embaraços diplomáticos para o Governo dos Estados Unidos. Nesse novo cenário, além de se recomendar moderação aos líderes no trato de sua correspondência, também atesta-se a ineficiência de projetos que vedam o acesso aos documentos oficiais, como o que ora passa pelo Congresso, de sigilo eterno de documentos estratégicos. É fato a necessidade de um prazo, como o de 50 anos, mas nada, hoje, fica eternamente nas gavetas como em outros tempos. Ante a fragilidade do sistema, melhor é divulgar por vias legais, até para evitar versões equivocadas.
Entre as mazelas da internet, uma das mais graves é o uso desregrado da informação sem qualquer tipo de aferição de veracidade. O jogo de interesses permite deturpação dos fatos; e como nem todos têm o zelo de verificar os dados, cria-se um cenário artificial, no qual fracassos e sucessos são de conveniência.











