LADO FRÁGIL
Em visita ao Congresso Nacional para participar de debates em uma comissão mista, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, retomou uma agenda dos tempos inflacionários, recomendando aos brasileiros pouparem mais em vez de irem às compras, como vem ocorrendo desde a mudança do patamar econômico do país. O discurso, do ponto de vista técnico, é correto, mas soa como se fosse o consumidor o responsável pelo aumento ostensivo dos preços nos últimos meses.
Não é de hoje que os especialistas vêm advertindo para a instabilidade dos números oficiais, enquanto, na realidade, há problemas de longa data que não foram sanados. O Governo, este sim, tem gastado mais do que pode, gerando problemas que começam, agora, a ser retirados do armário, obrigando a presidente Dilma Rousseff a cortar o orçamento, comprometendo, inclusive, o discurso que levou aos palanques nas eleições do ano passado, quando vendeu, como candidata, a imagem de um país de contas ajustadas e caixa provisionado.
É certo que não há, sequer, semelhança com os tempos inflacionários, mas é preciso tomar medidas para evitar o agravamento da situação, não do modo como recomenda o presidente do BC, impondo restrições à parte mais frágil da relação. Se houver redução do consumo, como pregam os manuais econômicos, haverá quebra em massa. O correto é investir no sistema produtivo e na infraestrutura, a fim de garantir a demanda sem comprometer os preços. Hoje, repete-se a velha lógica de mercado: consumo alto e produção baixa forçam aumento dos preços. Então, que se amplie a produção em vez de matar a galinha dos ovos de ouro.











