OLHAR À FRENTE
Desde as suas primeiras ações à frente da Prefeitura de Juiz de Fora, Itamar Franco tinha uma visão antecipada do futuro. Abriu avenidas, como a Independência, inaugurou adutoras, em função do crescimento da cidade, e fez o mesmo quando ocupou a Presidência da República e o Governo de Minas. O Plano Real, que só agora os políticos e a mídia nacional reconhecem só ter sido implantado em função de seu aval, é apenas parte do seu olhar à frente. As ações de combate à fome, em parceria com Betinho e dom Mauro Morelli, ganharam corpo na sua gestão. O carro popular, representado na figura do fusca, foi fruto de ironia quando defendeu a volta do veículo de maior emblematicidade para as camadas menos abastadas. A indústria automobilística nunca faturou tanto com os veículos populares como nos últimos anos.
Em Minas, seu gesto de ousadia foi denunciar um contrato da Cemig com os americanos. Impediu a privatização, e a empresa, hoje, é uma das mais rentáveis do país e controladora de outras empresas, como a Light, do Rio de Janeiro. Itamar era nacionalista, mas não tinha os olhos fechados. A privatização da CSN ocorreu em seu mandato, tornando-se uma empresa competitiva.
Assim, as ações do administrador são apenas parte do currículo de um político que entrou para a história. Seu maior legado, talvez, sejam as atitudes éticas, hoje tão incomuns, sobretudo no mundo da política. Causa espanto quando se fala de um ator de tal dimensão que jamais usou o Estado a seu favor. O que se vê, hoje, são escândalos: a direção do Ministério dos Transportes está afastada sob suspeita de corrupção.
Olhar à frente, pois, tornou-se uma necessidade para repor a ética no centro da política e das administrações e para quebrar, sobretudo, a velha falácia de se considerar que dinheiro público não tem dono e, por não ter, que pode ser usado e abusado. O homem se eterniza pelos seus feitos; que os feitos do ex-prefeito de Juiz de Fora (cargo que mais o agradou pela proximidade com o povo) sejam referência para as próximas gerações. E, nesse aspecto, há muito por mudar.











