ONDE TODOS PERDEM


Por Tribuna

05/04/2011 às 07h00

Quando se prega o desenvolvimento das cidades do entorno dos municípios-polo, o discurso aponta para o crescimento integrado, no qual todos ganham, inclusive a metrópole. Na edição de domingo, a Tribuna mostrou um cenário da rotina dos juiz-foranos que só será minimizado quando a máxima da integração se realizar. Hoje, todas as demandas têm um destino único: o maior município, pois este tem as melhores escolas, os melhores hospitais, os melhores serviços. O resultado desse fluxo incessante é perverso: 1,5 milhão de pessoas de outras regiões visita Juiz de Fora em busca de algum tipo de atendimento.

Ao primeiro olhar, tal quadro é positivo, pois implica em circulação de riquezas, mas a qualidade vai por água abaixo, e é aí que todos perdem. Com cerca de 500 mil habitantes, Juiz de Fora vive o dilema do trânsito; os serviços de saúde estão cada vez mais congestionados pela busca, inclusive, de pacientes de outros estados. O mercado de trabalho fica saturado, e quem é daqui tem que buscar oportunidades em outros lugares.

A solução não é fechamento do mercado, mas cobrar do estado e da União políticas de crescimento do entorno, pois boa parte dos que aqui acorrem o faz por falta de opção. Se os demais municípios tivessem indústrias, empresas e serviços de saúde adequados, certamente haveria o efeito de contenção natural, e a metrópole, no caso de Juiz de Fora, seria o destino apenas de consumo.

Não há fato novo nesse discurso, o problema é tirá-lo do papel em função, inclusive, da falta de visão das próprias lideranças dos pequenos municípios. Hoje – e as campanhas eleitorais são pródigas em confirmar – é mais fácil pedir uma ambulância ao candidato do que recursos para a construção de postos de saúde. Dá menos trabalho. Por isso, é possível ver o considerável número de veículos de outras cidades trazendo seus pacientes. No dia em que a assistência em tais regiões for de excelência, a demanda para a metrópole será menor e cairá a concorrência com os locais. Vale o mesmo para educação e demais serviços.

O Governo chegou a ensaiar um projeto chamado cidades-dique para conter o fluxo migratório, mas as razões políticas impediram que fosse adiante. O jogo de curto prazo do quanto mais melhor é outro empecilho, pois há sempre os que entendem que é esse o papel das grandes cidades, mas ignoram as consequências, que são visíveis sobretudo na periferia.