Do concreto ao verde: como cidades inteligentes e cidades esponjas moldam o futuro urbano

“O avanço do concreto, o aumento da frota de veículos e a pressão demográfica tornam urgente repensar o espaço urbano”


Por José Jamil Adum*

25/03/2026 às 08h10

As cidades do século XXI enfrentam um dilema cada vez mais evidente: como crescer sem sufocar seus habitantes e o meio ambiente? O avanço do concreto, o aumento da frota de veículos e a pressão demográfica tornam urgente repensar o espaço urbano. Nesse cenário, dois conceitos emergem como protagonistas da transformação: as cidades inteligentes, que usam tecnologia para otimizar serviços e qualidade de vida, e as cidades-esponja, que reinventam a relação entre infraestrutura e natureza para lidar com os desafios climáticos.

As chamadas cidades inteligentes apostam na tecnologia como aliada da vida urbana. Sensores e dados são utilizados para melhorar a mobilidade, energia e segurança. Aplicativos integram transporte público, bicicletas e carros compartilhados, enquanto a iluminação pública inteligente reduz o consumo e aumenta a sensação de segurança. Até a gestão de resíduos ganha eficiência, com coleta automatizada e monitoramento em tempo real. Barcelona e Singapura são exemplos de metrópoles que já conectam cidadãos e gestores em tempo real, tornando a cidade mais responsiva às necessidades da população e menos dependente de processos burocráticos lentos.

Já as cidades-esponja se inspiram na própria natureza para enfrentar problemas como enchentes e chuvas intensas. O planejamento urbano é voltado para absorver e reutilizar a água da chuva, por meio de jardins de chuva, telhados verdes e pavimentos permeáveis. Essa infraestrutura verde não apenas reduz os alagamentos, mas também aumenta a biodiversidade urbana e cria espaços mais agradáveis para os moradores. Pequim e outras cidades chinesas têm aplicado o conceito com sucesso, transformando áreas antes vulneráveis em ambientes resilientes e mais preparados para os impactos das mudanças climáticas.

Embora distintos, os dois modelos se complementam. Uma cidade inteligente pode usar sensores para monitorar o nível da água em áreas de risco, enquanto a lógica da cidade-esponja garante que essa água seja absorvida e reaproveitada. Juntas, essas abordagens criam metrópoles mais sustentáveis, resilientes e humanas, capazes de enfrentar tanto os desafios tecnológicos quanto os ambientais.

O futuro das cidades não está apenas em cabos de fibra ótica ou arranha-céus espelhados, mas também em raízes, jardins e sistemas que aprendem com a própria natureza. Serão inteligentes não apenas as cidades que usam tecnologia, mas aquelas que sabem escutar o ritmo da água, do solo e, sobretudo, das pessoas.

*José Jamil Adum é economista e mestre em Planejamento Organizacional

 

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