Campanha eleitoral depois do carnaval
“É bom lembrar que a disputa eleitoral envolve também os Parlamentos federal e estaduais”
Então é Carnaval. Segundo as velhas raposas políticas de Minas, a campanha eleitoral só começa mesmo depois do carnaval. Isto quer dizer, então, a partir da próxima semana, pois a festa sempre avança uns dias sobre a Quaresma que se inicia amanhã.
As últimas pesquisas sobre a sucessão presidencial – as sucessões estaduais vão indo muito lentamente – mostram que não devem ocorrer muitas surpresas quanto aos nomes da disputa. Pelo que se convencionou chamar de esquerda, o nome é mesmo Lula. Até porque não há outro. Na direita, onde houve um certo assanhamento e muitos nomes surgiram, o quadro vai se aquietando e, ainda considerando as pesquisas, o candidato mais viável é Flávio Bolsonaro, ao que parece, muito mais pelo Bolsonaro do que pelo Flávio.
Mas há um aspecto a ser considerado nestas pesquisas. Elas apontam que os que lideram a disputa são também os mais rejeitados pelo eleitorado. Intrigante isto. Significa então que um nome novo, fora do quadro atual, pode surgir e vencer a disputa? Se é verdade o que diziam as velhas raposas, a campanha começa agora e tudo pode acontecer. E isto pode não ser bom para a população.
É bom lembrar que a disputa eleitoral envolve também os Parlamentos federal e estaduais. E isto tem peso no andamento dos projetos que estão para serem votados por deputados e senadores. Nos períodos de campanha, o quórum diminui e muitos assuntos – entre os controversos e de pouco apelo popular – vão ficando nos escaninhos.
E há projetos de grande interesse da população esperando a boa vontade dos parlamentares, especialmente na área da segurança pública. O que não deve ficar nos escaninhos é o que reduz a jornada de trabalho, acabando com a escala 6×1 e implantando a 5×2. Cinco dias de trabalho e dois de descanso. Este projeto rende votos ou tira votos.
Mas se a campanha presidencial começa a ter um desenho mais nítido, focada em Lula e Flávio- na maioria dos estados a disputa ainda está fria. Em Minas, por exemplo, candidatos mesmo só da chamada direita. A esquerda – leia-se Lula – está absolutamente perdida no processo e não consegue encontrar um candidato. E o período das convenções não está tão distante.
*Paulo Cesar de Oliveira – jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil