Novo arcebispo em Juiz de Fora
“Dom Marco Aurélio Gubiotti chega aqui no momento em que nossa cidade começa a curar as feridas causadas pelas grandes chuvas”
Dom Marco Aurélio Gubiotti chega aqui no momento em que nossa cidade começa a curar as feridas causadas pelas grandes chuvas do final de fevereiro. É grande o desafio que ele tem pela frente, porque sem uma Pastoral Social organizada em âmbito arquidiocesano torna-se difícil coordenar e incentivar as iniciativas surgidas nas paróquias e comunidades de base. O que se espera é que o novo arcebispo assuma essa linha como prioridade, na esteira dos Papas Francisco e Leão XIV, trabalhando por uma Igreja em saída, misericordiosa e atenta aos clamores do povo que sofre.
Para isso, a Igreja de Juiz de Fora, como todas as dioceses do Brasil, pode contar com a reflexão e as orientações da Campanha da Fraternidade deste ano – CF-2026 – que tem por tema “Fraternidade e Moradia” e é motivada pela frase do Evangelho “Ele veio morar entre nós”. Ela convoca a Igreja toda a assumir as dores das pessoas sem casa onde morar e juntar-se a elas para obter uma moradia digna. Afinal, é sabido que ninguém escolhe morar junto aos rios e córregos sujeitos a alagamento, nem em áreas que correm risco de desabamento. Só busca moradia nesses lugares quem não tem condições econômicas para pagar por um local mais seguro onde viver. Esse laço da solidariedade ao qual nos convoca a CF-2026 tem o duplo efeito de resolver – ao menos em parte – o problema da moradia de muitas pessoas e assim renovar o próprio ambiente eclesiástico, tornando-o mais permeável às “dores e alegrias” do mundo atual, como pede o Concílio Vaticano II.
Ao abrir-se para uma efetiva Pastoral Social, a Arquidiocese poderá contar com a participação de não poucos cristãos leigos e leigas dispostos, dispostas, a levar a Boa Nova do Reino de Deus a essa sociedade onde a desigualdade extrema não permite que se fale de um mundo de irmãos e irmãs. O Laicato de nossa Arquidiocese tem suas raízes nos antigos movimentos e irmandades e na Ação Católica dos anos 1950 – 70, que se mostraram capazes de formar e mobilizar muita gente em favor da população empobrecida. Aliás, convém lembrar que este coletivo de leigos e leigas que há 50 anos mantém a coluna “Igreja em Marcha” tem sua origem naquele campo pastoral do laicato. Há, portanto, um terreno fértil e muitas sementes à espera de condições favoráveis para germinar. Falta-nos, porém uma força aglutinadora, alguém capaz de convocar todos esses leigos e leigas para servir a sociedade, não restringindo sua atuação ao âmbito da própria Igreja.
Romper essa autorreferencialidade, como pedia o Papa Francisco e continua insistindo o Papa Leão XIV, é o grande desafio pastoral que vemos colocar-se para a Arquidiocese de Juiz de Fora, que a partir de agora tem à sua frente como pastor Dom Marco Aurélio. Fazendo votos e rezando para que ele seja iluminado pela Sabedoria divina para discernir o melhor caminho para dar o testemunho do Evangelho nesta terra devastada por uma catástrofe climática, damos nossas boas-vindas ao novo Arcebispo e abrimos nossos corações para acolhe-lo em nosso meio.
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