Uma situação de estarrecer
“Vorcaro está preso enquanto são apuradas suas ‘estripulias’, mas já se fala em delação premiada”
Como já disse em outras ocasiões, acompanho de perto a vida política e econômica do país há quase sessenta anos. Confesso que, ao longo destes anos, acompanhei de perto, como jornalistas, muitas crises, mas nenhuma da dimensão da que vivemos hoje.
O Supremo Tribunal Federal (STF) com seus mais de 100 anos sempre foi uma instituição inatacável, com ministros da estatura moral e altamente competentes como Adauto Lúcio Cardoso, Sepúlveda Pertence, Moreira Alves, Oscar Dias Corrêa (com quem tive o privilégio de conviver) e o meu amigo Carlos Mário Velloso, que está aí ativo aos 90 anos.
E, agora, o que se pode dizer de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes que não podem nem sair à rua? Infelizmente, este é o nosso STF de hoje, em parte, reconheçamos, vítima da radicalização política, mas também alvo de muitas denúncias que os ministros alvos precisam explicar.
Daniel Vorcaro, personagem principal do maior escândalo financeiro do país, expôs ministros do STF, políticos, servidores públicos e personagens da área econômica, deixando em todos nós a sensação de que o país está enterrado na lama da corrupção. Vorcaro está preso enquanto são apuradas suas “estripulias”, mas já se fala em delação premiada, o que assusta muita gente. Dizem que a ameaça de delação é uma forma de coagir seus amigos políticos a arranjarem uma forma de salvá-lo de um longo período de cadeia e da falência, essa já inevitável.
As denúncias de corrupção já atingem diretamente Lula, com o surgimento do nome de seu filho, o “Lulinha” no escândalo do INSS. O filho do presidente teria recebido milhões desviados de beneficiários do instituto, denúncias que já repercutem no desempenho eleitoral de seu pai hoje, apontam pesquisas, tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Os outros candidatos presidenciais Zema (candidato do Novo) e os nomes do PSD de Gilberto Kassab, os governadores Ratinho Jr., Ronaldo Caiado e Eduardo Leite avançam, mas em ritmo lento.
*Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil