A importância de um vice-presidente

“Quase ninguém pensa em ‘quem é o vice’ ao se decidir pelo voto.”


Por Paulo César de Oliveira*

07/04/2026 às 08h00

Lula confirmou Alckmin como seu vice na disputa eleitoral deste ano, quando o petista tenta seu quarto mandato presidencial no voto direto.

Lula já é o presidente com maior tempo no cargo conquistado pelo voto direto. Vargas, somando o período ditatorial, chegou aos 19 anos no poder, sendo o presidente que mais tempo permaneceu no cargo.
Bem, mas o que isto tem a ver com o fato de Lula ter escolhido novamente Alckmin como seu companheiro de chapa?

Este é o tema que queria abordar neste espaço. Lula, em seus três mandatos, fez escolhas sábias de seus companheiros, pessoas que poderiam ter chegado à presidência, caso houvesse ocorrido algum impedimento legal ou mesmo morte no exercício do mandato.

Como aconteceu com Tancredo, substituído por Sarney, com Collor de Mello, que sofreu impeachment e foi substituído por Itamar, e como aconteceu com Dilma mais recentemente, substituída por Temer.

Substituições vão se tornando mais comuns por corrupção, o que é lamentável, especialmente em governos estaduais e municipais. Não são poucos os casos recentes de cassações de políticos por corrupção.

Não podemos nos esquecer, porém, que a política é dinâmica. Poucos são os que entram e se dispõem a sair por entenderem que cumpriram sua missão, deixando sua marca. Quem entra quer ficar e a busca de um novo mandato é, em época eleitoral, o motivo de tantas renúncias, de tantas emtregas dos cargos para seus vices. Sair para ficar é a motivação. E é nesta possibilidade que o eleitor deve pensar ao definir seu voto.

Quase ninguém pensa em “quem é o vice” ao se decidir pelo voto num candidato a prefeito, governador ou presidente. Poucos são os que se lembram de que o vice pode vir a ocupar o cargo principal em praticamente todo o mandato, como acontece agora, em Belo Horizonte, com o prefeito Álvaro Damião.

Entre nós, o que acontece é que a escolha do vice raramente, muito raramente mesmo, se dá por sua competência, por sua capacidade de exercer o cargo numa emergência. Se os partidos não consideram a competência como fator principal na escolha de um vice, cabe ao eleitor pensar na possibilidade de uma eventual substituição do eleito.

Lula deu mostras de que pensa na importância de ter um bom vice. Um companheiro competente para o caso de substituição e leal durante o governo. Que os demais candidatos pensem bem quando forem fechar seus acordos políticos. E o eleitor também.

*Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil

 

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