O desafio da reconstrução
A limpeza da cidade é o primeiro passo do desafiador processo de reconstrução de Juiz de Fora
As chuvas que atingiram Juiz de Fora na última semana deixaram marcas profundas. De luto, a cidade chora por suas vítimas, enquanto se solidariza com milhares de pessoas que se viram obrigadas a deixarem suas casas e tenta traçar o caminho para se recuperar após a tragédia.
As marcas da chuva estão visíveis no cenário urbano: casas destruídas, terras que interditam vias após deslizamentos, móveis e objetos pessoais danificados que precisaram ser descartados, lama e poeira nas ruas, a fenda que se abriu no Morro do Cristo. É o retrato visível de um desastre que não termina quando a chuva cessa.
A limpeza da cidade é o primeiro passo do desafiador processo de reconstrução de Juiz de Fora, trabalho que deve ser planejado e orientado. A gestão dos resíduos está diretamente conectada ao planejamento público urbano, que inclui, ainda, sistemas de drenagem e ocupação do solo.
O aspecto social não pode ser ignorado. São os moradores, muitas vezes já afetados pela perda de bens e pela insegurança causada pelas chuvas, que convivem com o acúmulo de resíduos nas ruas e a incerteza sobre a gestão desses resíduos.
A coluna Biosfera, assinada pela repórter Nayara Zanetti, traz as informações sobre onde e como descartar entulhos e resíduos das chuvas corretamente em Juiz de Fora. Em entrevista, o professor de engenharia ambiental e sanitária da UFJF e coordenador do projeto Recicle, Samuel Castro, reforça que o manejo inadequado de resíduos tende a intensificar riscos sanitários, ambientais e estruturais após enchentes e deslizamentos.
A coluna também reúne os endereços de ecopontos da cidade e aborda a decisão da Prefeitura de Juiz de Fora de transformar o antigo Parque de Exposições, na Zona Norte, em ponto temporário para o descarte de lixo e entulho.
O momento ressalta a importância sobre a conscientização ambiental: quando o lixo é descartado de forma irregular, bueiros entopem, córregos são obstruídos e os alagamentos se intensificam. Quando não há políticas robustas de manejo de resíduos, o problema reaparece a cada temporal.
O processo de reconstrução começa pela limpeza e segue pelas ações de educação ambiental, fortalecimento da fiscalização do descarte irregular, investimento em infraestrutura de drenagem e consolidação da política de gestão de resíduos. É preciso planejamento integrado, políticas públicas consistentes e diálogo com a sociedade para que Juiz de Fora possa atravessar esse momento desafiador.