“Não irão prosperar”: ação contra organizações criminosas cumpre mandados na região
Operação Vinculum Fractum foi realizada em Além Paraíba e cidades da região, resultando em sete prisões e apreensão de armas, drogas e celulares

A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (25), a Operação Vinculum Fractum em Além Paraíba e municípios da região, como Cataguases, Leopoldina e Argirita. O trabalho foi feito em conjunto com as polícias Civil, Militar e Penal e resultou na prisão de sete pessoas. Também foram apreendidas duas armas, drogas e celulares, que passarão por extração de dados para auxiliar na apuração de crimes. O nome da operação é uma expressão em latim que significa “elo quebrado” .
A ação foi coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e contou com atuação integrada das forças de segurança. Em coletiva no fim da manhã, os órgãos informaram que o objetivo é combater o tráfico de drogas e a “governança criminal”. Segundo o subsecretário da Sejusp, Christian Viana, já foram realizadas mais de 51 prisões e cumpridos mais de 75 mandados de prisão desde 2025.
De acordo com o delegado regional Thiago Carvalho, a operação foi estruturada principalmente para combater organizações criminosas. Ele afirmou que as investigações estão em andamento há algum tempo e que o elevado número de mandados está relacionado à consolidação de diferentes apurações, incluindo casos de homicídio motivados por disputa territorial entre esses grupos. O objetivo, segundo ele, é desarticular essas organizações e reunir elementos que contribuam para investigações de outros crimes.
A operação concentrou-se no Bairro Goiabal, em Além Paraíba, mas também teve mandados cumpridos em Cataguases e Argirita. Outros 20 mandados de busca e apreensão e de prisão foram executados em outros estados.
Ligação com outros estados
Segundo as forças de segurança, o foco da operação não se limita ao cumprimento de decisões judiciais, mas também ao alcance de suspeitos que continuam praticando crimes violentos ou influenciando diretamente a sensação de insegurança da população. A intenção é atingir tanto a base, quanto os níveis mais altos da estrutura criminosa.
Os agentes destacaram que a ação desta quarta-feira representa apenas uma etapa da operação, que terá novos desdobramentos. Também informaram que o enfrentamento à governança criminosa vai além do trabalho policial e depende da atuação conjunta do sistema de Justiça e de outras áreas do poder público.
Ainda durante a coletiva, explicaram que a proposta é retomar territórios com ausência do Estado, restabelecendo a presença estatal, modelo que já foi aplicado em projetos-piloto na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com participação das prefeituras. A expectativa é que, em etapas posteriores, municípios da região também sejam acionados para colaborar.
De acordo com o Relatório do Mapa das Organizações Criminosas de 2023, da Secretaria Nacional de Políticas Penais, as facções com atuação em Minas Gerais são: Amigo dos Amigos, Bonde dos 40, Bonde do Maluco (BDM), Cartel do Norte, Comando Vermelho (CV), Comboio do Cão, Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC), oriundo de São Paulo, Guardiões do Estado (GDE), Irmãos dos Irmãos (IDI), oriundo do Rio de Janeiro, Primeiro Comando da Capital (PCC), Primeiro Grupo Catarinense (PGC), Terceiro Comando da Capital (TCC) e Terceiro Comando Puro (TCP).
Canais de denúncia e Emergência MG
As forças de segurança reforçaram a importância da participação da população por meio dos canais de denúncia. Entre eles estão o Disque-Denúncia 181, os telefones de emergência 190, 193 e 197, e a plataforma Emergência MG.
O Emergência MG permite acionar as forças de segurança por aplicativo, pelo MG App ou pelo Telegram, inclusive em situações em que não seja possível fazer uma ligação telefônica. Nesses casos, a ocorrência pode ser relatada por mensagem, com atendimento direcionado imediatamente aos órgãos competentes.
A ferramenta está disponível em todo o estado, em áreas urbanas e rurais, e tem se mostrado útil em casos de violência doméstica, violência contra a mulher e em situações nas quais a vítima não consegue falar ao telefone.
*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli
Tópicos: Além Paraíba / argirita / Cataguases









