Prefeitura de Lima Duarte quer inibir chegada de turistas a Ibitipoca
Parte dos empresários locais fechou estabelecimentos por conta própria; população segue em alerta


Mesmo sem o registro de caso suspeito de infecção pelo novo coronavírus, moradores do distrito de Conceição de Ibitipoca, em Lima Duarte, estão inseguros com a possibilidade de entrada de turistas na região. Casos de abordagens de habitantes da vila impedindo o acesso de visitantes ao distrito foram reveladas por membros da comunidade em contato com a reportagem da Tribuna, levando a Prefeitura de Lima Duarte a emitir comunicado incentivando o reagendamento das viagens a Ibitipoca. A Administração Municipal também prepara decreto recomendando o fechamento de estabelecimentos comerciais em todo o município.
Conforme relatos de moradores, membros da comunidade de Ibitipoca se organizam via redes sociais para realizar “batidas” em pontos de acesso ao distrito, com o intuito de fiscalizar a entrada de visitantes. A preocupação dos moradores se dá em função do volume remanescente de turistas que buscam acessar o local, mesmo após o fechamento do Parque Estadual do Ibitipoca. “As pessoas queriam fazer uma batida da comunidade para avaliar quem está chegando e saindo. A gente não pode impedir ninguém de vir. O que temos que fazer é nos prevenir, nos precaver”, relata um morador, em condição de anonimato.
A apreensão dos moradores chegou ao conhecimento do prefeito de Lima Duarte, Geraldo Gomes de Souza, que prepara uma medida normativa em caráter de urgência para recomendar o fechamento de pousadas, bares e restaurantes na cidade. “Eu não assinei ainda (o decreto), mas como está todo mundo apavorado, nós tivemos que tomar providências”, relata o prefeito. Inicialmente, conforme a Prefeitura, a medida terá efeito de recomendação, sem a obrigação do fechamento. “O pessoal está confeccionando o decreto de acordo com as leis federais, nós não podemos atropelar a legislação”, alerta Souza.
Medidas voluntárias
Vários estabelecimentos comerciais já foram fechados em iniciativa dos próprios empresários, mesmo antes da elaboração da normatização do município. Gerente da Pousada do Fred, Guilherme Ribeiro revelou a preocupação de um grupo de empresários de Lima Duarte com a pandemia de coronavírus, suspendendo os atendimentos por conta própria. “Com a virada de contaminação do último fim de semana, nós próprios começamos a pensar no perigo que seria para a nossa comunidade. Nós passamos a acompanhar o Parque e também encerramos as atividades”, confirma Ribeiro. Conforme o administrador, há crescente demanda de turistas, inclusive de outros países, mas sempre recusada pela maioria dos empresários.


Outra medida popular partiu da Associação de Moradores e Amigos de Ibitipoca (Amai), com cartazes e orientações para moradores da comunidade e instrução a turistas para remarcar as visitas. “Nós recebemos o turista com o maior carinho, mas esperamos que ele volte em outro período, quando a gente tiver a curva (de casos) abaixando”, salienta o vice-presidente da Amai, Fred Fonseca. “Nós não temos um espaço de saúde aqui, o mais próximo fica em Lima Duarte, a 26 quilômetros. Se chega aqui e começa uma proliferação em Ibitipoca, é perigoso, porque temos muitas pessoas de idade”, complementa Fonseca.
Impacto econômico
Com a interrupção do principal meio de renda da população de Ibitipoca, os moradores passam a lidar com o agravamento da situação financeira. Os proprietários que já aderiram ao fechamento passam a viver das reservas financeiras, e alguns já dispensaram funcionários. “Vivemos do turismo e com a sazonalidade, mas, com o vírus, economicamente falando, vai afetar muitas empresas. Principalmente as pequenas, como é o caso da minha”, lamenta Gabriel Fortes, proprietário da Sauá Turismo, que apela por uma medida governamental para assegurar um ganho mínimo aos trabalhadores. “A gente vive do dia a dia, não temos uma rentabilidade mensal fixa. Creio que vai afetar muito, e se o Governo federal ou estadual não tomarem alguma providência, acredito que muitos negócios poderão falir”, alerta.
Para o empresário Guilherme Ribeiro, o cenário atual com a crise de saúde pública é uma situação extrema na qual não há como lidar de outra maneira. “É quase uma visão de um tempo de guerra. A gente sabe que vai ser difícil, não sabe como vai fazer depois, mas são as medidas que têm que ser tomadas agora. Não estamos confortáveis, não é o que a gente queria, mas é o que temos que fazer.”










