Farei a defesa pelos avanços do SUS

Entrevista/Antônio Jorge, deputado estadual eleito
Titular de 93.034 votos, sendo 20.182 conquistados em Juiz de Fora, Antônio Jorge Marques (PPS) chegará à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em fevereiro, para dar início ao seu primeiro mandato como deputado estadual, assumindo a missão de defender a saúde e de levantar a bandeira da reforma política. Médico formado pela UFJF, servidor público de carreira e ex-secretário estadual de saúde, Antônio Jorge, aos 53 anos, volta a ocupar um cargo eletivo dez anos depois de ter sido vereador em Juiz de Fora, na legislatura 2005-2008. Apesar de natural de São Paulo, o futuro parlamentar sempre manteve ligação com a cidade, onde, além de ter sido legislador, ocupou a função de secretário de Saúde do município. A Tribuna publica hoje a última entrevista com os deputados eleitos por Juiz de Fora para assumir, em 2015, uma cadeira no Legislativo Estadual.
Tribuna – Além da confiança de mais de 20 mil eleitores juiz-foranos, o senhor teve boa votação em todo o estado. Nesse cenário, pretende atuar em benefício de Juiz de Fora e Zona da Mata?
Antônio Jorge – O deputado precisa ter atuação regional. Obtive votos em mais de 600 cidades, mas majoritariamente, minha votação se encontrou aqui. Isso me permitirá a possibilidade de falar pela região. Tenho um interesse muito grande neste mandato de trabalhar questões regionais. Esse desempenho eleitoral me credencia e me obriga a ter pensamentos além de Juiz de Fora. Em minha visão, é impossível discutir o desenvolvimento de Juiz de Fora sem considerar o desenvolvimento de toda a região.
– É possível trabalhar ao lado dos outros parlamentares da cidade em prol de uma união para beneficiar a região?
– Enxergo isso como uma obrigação. Teremos questões na Assembleia que nos colocarão em lados opostos e contra os interesses do atual Governo, porém, no que tange os interesses da cidade, precisamos ter alinhamento. Espero que a cidade, bem como a imprensa e a opinião pública, fique atenta e nos cobre esta posição. Em muitas questões negativas para cidade, sobretudo ao seu desenvolvimento, parte da conta foi atribuída ao fato de não termos uma forte representação na Assembleia. Hoje, nós temos. Apesar das divergências partidárias, lamento muito o fato do PT não ter eleito um deputado. Para a cidade, seria importante ter um representante todas as matizes.
– Até o início deste ano, o senhor ocupou a Secretaria de Estado de Saúde. O tema saúde será sua principal bandeira na Assembleia? Como pretende atuar neste sentido?
– Minha história pública é toda entrelaçada com a saúde, porém, há três questões – em igual importância – que estarão presentes neste mandato: a defesa pelos avanços do SUS, que sempre esteve intrínseca à minha militância política, a partir da manutenção de programas e serviços já existentes. A utilização da Assembleia como ferramenta para discutir ações para o crescimento da Zona da Mata. A terceira questão, que será a mais difícil, é a defesa da política. Vivemos uma crise entre o binômio “representante e representado”, pois as pessoas não se veem representadas. A praxe e o discurso, cada vez mais, se distanciam da população. A democracia representativa está em crise em todo mundo, mas no Brasil está ainda mais acentuada. Muito em função da necessidade de uma reforma política. A política só se conserta pela política.
– Como deputado, pretende exercer um papel de fiscalização para o bom funcionamento do projeto?
– Na posição de ex-gestor, além de fiscalizador do Executivo, as questões da saúde serão atadas às coerências do que já foi realizado. A área da saúde tem uma especificidade que as outras não têm: a governança é tripartite e as ações adotadas foram aprovadas com a presença do Governo municipal. A saúde não é herança de um governo, mas do SUS de Minas que, por sua vez, é patrimônio da nação. Espero que o Governo de Fernando Pimentel (PT) entenda este patrimônio, faça as alterações que julgar necessárias, mas que consiga manter a essência.
– Historicamente, o senhor possui uma ligação com o grupo político que irá deixar o Governo de Minas no final do ano. Entretanto, o seu partido, o PPS, negocia com o governador eleito Fernando Pimentel (PT) a possibilidade de integrar a base aliada. Caso isso aconteça, qual deve ser seu posicionamento na Assembleia?
– Não existe essa negociação e nem há possibilidade. O PPS é um partido pequeno, mas com muita coerência. Não é um partido que loteia cargo, vende legenda e que faz acordos para a manutenção de cargos. Por outro lado, o ciclo de Governo acabou e não quer dizer que teremos alinhamento automático com o PSDB. Seguramente nosso alinhamento será no campo das oposições. Em questões de blocos formados na Assembleia, norteado pela ocupação dos espaços da própria Assembleia, ainda estamos discutindo qual iremos ocupar. Com certeza, o perfil do nosso partido será de oposição, coerente ao cenário nacional.
– Outra possibilidade ventilada nos bastidores é a possibilidade de uma fusão entre o PPS e o PSB. Caso isso ocorra, o senhor já pensou se permanece ou deixa o novo partido?
– Não mudo de partido em hipótese alguma, mesmo com a fusão. Discute-se agora a fusão entre o PPS, o PSB e o PV. As conversas estão adiantadas, mas o debate está em nível de cúpula partidária. A força motriz dessas fusões precisa ser a preocupação com a cláusula de desempenho defendida na reforma política, que é uma unanimidade entre os partidos, apesar das inúmeras divergências. Isto fará com que muitas legendas busquem uma fusão para que possam ter atuação no Congresso. Para o PPS, a fusão com partidos de centro-esquerda é uma tendência, mas defendo que ela precisa acontecer de forma mais serena e a partir da consulta com as bases políticas. Ao se juntar três, tem, necessariamente, que resultar em um novo, e não juntar três fazendo com que um vire protagonista e os outros dois coadjuvantes.
– O senhor já foi vereador por dois mandatos em Juiz de Fora e secretário de Estado de Saúde. Recorrentemente, seu nome é apontado como uma opção para a sucessão municipal em 2016.
– Não serei candidato se não houver mudanças na legislação eleitoral. Se não avançarmos no controle e no financiamento público de campanha, a questão do voto distrital, a cláusula de barreiras para encerrar esta pulverização de partidos, este será o último pleito que participei. Do ponto de vista pessoal, ser prefeito me faria muito feliz. É da minha índole a atividade no executivo e a perspectiva de ser gestor da cidade é interessante e motivador. A expectativa de 2016, porém, está muito distante. Disputar a Prefeitura é uma questão absolutamente possível, mas para a próxima eleição ainda está muito distante. Minha missão, agora, é cumprir o mandato regional.









