Seis vereadores de Juiz de Fora são pré-candidatos a cargos durante as eleições 2026; saiba quem são

Número é o mesmo do que a Tribuna noticiou em abril de 2018, mas fica abaixo dos 11 de abril de 2022; outros nomes ainda avaliam possibilidade


Por Tribuna

19/04/2026 às 07h00

6 vereadores de Juiz de Fora são pré-candidatos a deputados em 2026
Neste ano, seis vereadores já anunciaram pré-candidaturas à Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados (Foto: Leonardo Costa)

 

Com o término do prazo de filiação partidária para quem pretende disputar as eleições gerais de 2026 no início de abril, as movimentações nos bastidores da política seguem cada vez mais aceleradas, visto que as chapas partidárias às disputas proporcionais e majoritárias já começaram a serem desenhadas. Neste ano, até o momento, seis parlamentares de Juiz de Fora já se colocam como pré-candidatos ao pleito, repetindo o número registrado em abril de 2018, pela Tribuna de Minas, e abaixo do cenário de 2022, quando a Câmara Municipal chegou a contar com 11 nomes na disputa.

A Tribuna entrou em contato com todos os 23 vereadores de Juiz de Fora – seja por meio das respectivas assessorias, seja diretamente com os próprios parlamentares – para verificar quantos são pré-candidatos atualmente. Os vereadores que se colocam como prováveis nomes na corrida eleitoral deste ano são: 

  • Dr. Antônio Aguiar (União): Pré-candidato a deputado estadual, apoiando o deputado federal Rodrigo de Castro (União);
  • João do Joaninho (PSB): Pré-candidato a deputado estadual;
  • Laiz Perrut (PT): Pré-candidata a deputada estadual, apoiando a deputada federal Ana Pimentel (PT);
  • Roberta Lopes (PL): Pré-candidata a deputada estadual, apoiando o deputado federal Nikolas Ferreira (PL);
  • Sargento Mello Casal (PL): Pré-candidato a deputado federal, apoiando os deputados estaduais Bruno Engler (PL) e Sargento Rodrigues (PL);
  • Tiago Bonecão (Democrata): Pré-candidato a deputado estadual.

Outros vereadores, embora não planejem concorrer durante o pleito deste ano, já articulam apoios a nomes que devem estar na disputa, são eles:

  • André Luiz (Republicanos): Apoia o deputado federal Gilberto Abramo e o deputado estadual Charles Santos (ambos do Republicanos);
  • Cida Oliveira (PT): Afirma que já pensou na possibilidade de se candidatar a deputada federal, mas entende que é preciso reforçar a bancada do partido, buscando reeleições. Apoia Betão (PT) para a Assembleia Legislativa, além de Ana Pimentel (PT) para a Câmara dos Deputados;
  • Cido Reis (PCdoB): Apoia Tiago Bonecão para deputado estadual e Wadson Ribeiro (PCdoB) para deputado federal;
  • João Wagner Antoniol (MDB): Apoia o ex-vereador de Juiz de Fora, Vagner de Oliveira, para deputado estadual, e o deputado federal Newton Cardoso Jr. (os dois do MDB);
  • Julinho Rossignoli (PP): Apoia Ana Rossignoli para deputada estadual e o deputado federal Dimas Fabiano (PP);
  • Kátia Franco (PSB): Apoia o vereador de Belo Horizonte e pré-candidato a deputado estadual, Wanderley Porto, e o deputado federal Fred Costa (ambos do PRD);
  • Negro Bússola (PV): Apoia a atual deputada estadual e pré-candidata a deputada federal, Lohanna França (PV), e Professor Cleiton (PV) à reeleição na Assembleia Legislativa;
  • Vitinho (PSB): Afirma que, no momento, não é pré-candidato, mas pode ser que a decisão do partido mude mais à frente. Se não for candidato, apoia o deputado estadual, e pré-candidato à reeleição, Noraldino Júnior (PSB), e a pré-candidata a deputada federal, Kátia Dias (Republicanos).

Assim como Vitinho, Juraci Scheffer (PT) e Pardal (União) ainda não bateram o martelo. A assessoria do petista informou que, até o momento, o vereador não decidiu: “está discutindo a possibilidade com o grupo político dele e também com o partido”. 

Já a assessoria do líder do governo na Câmara afirmou que as atualizações mais recentes são as publicadas no Painel, na última segunda-feira (13): “Está avaliando a possibilidade de ser candidato a deputado federal. Ele recebeu o convite diretamente do presidente regional da legenda, deputado Rodrigo de Castro”.

André Mariano (PL) afirmou que vai “apoiar os nossos”. Fiote (PDT) ainda está estudando quem apoiar, enquanto Maurício Delgado (Rede) está aguardando a decisão do diretório estadual do partido: “Eu tenho o mandato muito graças à possibilidade que a Rede me deu. Então, agora, eu fico na iminência de apoiar quem o partido achar que eu deva”.

Os outros gabinetes retornaram o contato da Tribuna ou não responderam sobre apoios.

Outra pré-candidatura juiz-forana chegou a ser ensaiada

Nos últimos meses, uma outra pré-candidatura à Assembleia Legislativa de Minas Gerais chegou a ser ensaiada, desta vez, relacionada a administração municipal: trata-se da secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular de Juiz de Fora, Cidinha Louzada.

Durante a entrevista coletiva, há cerca de um mês, em que anunciou a retirada da respectiva pré-candidatura a deputada estadual, a secretária confirmou que a intenção era construir uma campanha em dobrada com a deputada federal, e ex-secretária de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora, Ana Pimentel, que faz parte do mesmo grupo interno do PT. Cidinha e Ana fazem parte da “Democracia Socialista”: corrente interna do Partido dos Trabalhadores que conta também com a prefeita Margarida Salomão.

“Eu estava preparada para fazer essa disputa, vinha trabalhando e me organizando. Quando aconteceu aquela tempestade, não aconteceu só na cidade, ela aconteceu comigo também. Isso é para tomar decisões, precisa ter cara e coragem para isso”, declarou a secretária, fazendo referência às fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora no dia 23 de fevereiro deste ano. Sessenta e seis pessoas morreram na ocasião. “Só vejo uma opção, ficar na cidade e ajudar a construir a cidade. Eu vou continuar na rua, trabalhar e fazer o que é necessário ser feito”, afirmou.

Conforme publicado pelo Painel naquela data, o nome da vereadora Laiz Perrut – que também faz parte da mesma tendência interna que Cidinha, Margarida e Ana – já vinha sendo mencionado nos bastidores políticos da cidade como a indicada para a sucessão no posto de pré-candidata.

Cenário sugere concentração de votos em nomes já consolidados, avalia cientista político

Para o professor titular do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGCOM UFJF), Luiz Ademir de Oliveira, o número reduzido de vereadores dispostos a disputar uma vaga em 2026 não indica necessariamente um esvaziamento, mas sugere uma reorganização do jogo político e da estratégia.

Segundo ele, há, de certo modo, uma consolidação de nomes já conhecidos do eleitorado, tanto para a Assembleia Legislativa, quanto para a Câmara dos Deputados, o que pode acabar concentrando votos, dificultando a entrada de novas lideranças políticas.

Nesse contexto, a disputa passa a exigir mais estrutura, articulação regional e capacidade de investimento, fatores que elevam o custo político de uma candidatura. “Há um conjunto de elementos que pesam nessa decisão: o custo de campanha, a necessidade de ampliar apoios para além de Juiz de Fora, o risco de desgaste com uma votação baixa e a dificuldade de consolidar alianças na região”, elenca.

Outro fator destacado por Luiz Ademir, que é doutor em Ciência Política e tem pós-doutorado em Comunicação Social, é o peso da chamada campanha permanente: parlamentares que já ocupam cargos eletivos mantêm visibilidade ao longo do mandato, o que amplia as chances de reeleição e reforça a tendência de manutenção dos mesmos nomes no cenário. “Uma candidatura agora em 2026, mesmo que não resulte em ganho eleitoral (ou seja, a obtenção, de fato, do cargo pretendido), pode resultar em um ganho político: esses pré-candidatos, ao longo do período eleitoral, estarão nas ruas e em reuniões com a população, já visando a eleição municipal de 2028″, avalia.

Ao mesmo tempo, para o professor e pesquisador, a polarização política também contribui para uma escolha mais racional por parte de eleitores e lideranças, concentrando forças em candidaturas consideradas mais competitivas. Diante dessa conjuntura, muitos vereadores optam por não disputar diretamente e atuar na construção de apoios. A estratégia, segundo Luiz Ademir, preserva capital político e mantém o nome em circulação, sem o risco de uma candidatura com baixo desempenho.

O também doutor em Ciência Política e professor do Departamento de Ciências Sociais da UFJF, Diogo Tourino, concorda quanto a utilização das disputas estaduais e federais como estratégia de manutenção de visibilidade política.

“Vereadores aproveitam essas eleições para continuar colocando o nome em circulação, não só dentro do partido, mas também pensando no eleitorado”, avalia Diogo, que tem pós-doutorado também no tema.

Ele avalia que, após a ruptura comunicacional-política observada nas eleições gerais de 2018, quando novas formas de campanha, ligadas a estratégias digitais, ganharam força e alteraram a lógica tradicional, o cenário político voltou a se reorganizar. Para o pesquisador, hoje há uma retomada de elementos mais estruturais das disputas eleitorais, como a construção de palanques e alianças.

“A eleição de 2018 bagunçou um pouco esse padrão, mais depois ‘o rio foi voltando pro leito’. Hoje esse movimento também está ligado à construção de chapas e ao jogo político que não se encerra em uma única eleição”, aponta.

Para Tourino, o movimento atual de vereadores e vereadoras que lançam nomes também para disputas estaduais está ligado à construção de palanques e a estratégias partidárias de longo prazo, em que candidaturas são pensadas em rodadas sucessivas, mirando não apenas uma eleição específica, mas ganhos políticos futuros.

Eleições 2026

Além das disputas para as cadeiras parlamentares estaduais e federais, neste ano, o eleitorado brasileiro vai também às urnas para votar para Governo de Minas e Presidência da República. Estão em jogo ainda duas vagas para o Senado.

O primeiro turno está marcado para o dia 4 de outubro, com eventual segundo turno previsto para o dia 25 do mesmo mês.