
Em assembleia, professores votaram pela continuidade da greve
Em queda de braço com os professores municipais, que estão em greve há 13 dias, a Prefeitura voltou a afirmar o compromisso de adequar a carga horária do magistério à Lei do Piso, com a destinação de um terço da jornada de trabalho para atividades extraclasse, a partir de janeiro do ano que vem. A proposta não atende aos anseios dos docentes, que exigem adequação imediata de suas cargas horárias. Por meio de sua assessoria, o Executivo afirmou que, durante a reunião desta terça-feira (07), entregou um ofício do Ministério da Educação aos docentes, mostrando que o município não está apto a receber verbas complementares para a implementação da legislação ainda em 2013. Em encontros anteriores, os docentes chegaram a sugerir à Administração o uso de verbas do MEC destinadas ao cumprimento da Lei do Piso.
"O Executivo está agindo conforme entendimento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que reconheceu que o município não tem condições de aplicar a jornada imediatamente", afirma nota oficial da PJF. A argumentação parece não ter convencido os professores que votaram pela continuidade da greve, em assembleia realizada na tarde desta terça. Após o encontro, centenas de manifestantes fizeram uma passeata pelas avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas, além da Rua Floriano Peixoto, ocupando meia pista e se estendendo por um quarteirão e meio.
A movimentação durou quase duas horas e foi finalizada na Praça Antônio Carlos, em frente ao prédio onde funciona a Secretaria de Educação. Como forma de pressionar o Executivo, em todo o trajeto, um caminhão equipado com um telão exibiu imagens de uma entrevista do prefeito Bruno Siqueira (PMDB), durante a campanha eleitoral do ano passado. No vídeo, o atual chefe do Executivo fala em valorização dos professores municipais e defende a aplicação da Lei do Piso.
Apesar de a PJF reiterar o compromisso de adequar a jornada dos docentes no ano que vem, os professores classificaram como avanço o que chamaram de "exercício" iniciado com o Executivo na reunião desta terça. Segundo a direção do Sindicato dos Professores (Sinpro), como a Prefeitura alega dificuldades orçamentárias, os sindicalistas sugeriram que, como medida paliativa, o módulo/aula fosse reduzido em cinco minutos até o final do ano, para garantir aos professores uma maior dedicação às suas funções fora de sala de aula.
O Sinpro questionou ainda a movimentação da PJF que trabalha para definir um índice único a ser oferecido para todas as categorias do serviço público municipal. O entendimento é de que o índice de reajuste referência para os docentes é de 7,97%, que corresponde ao percentual de aumento Fundeb entre 2011 e 2012. Os docentes querem reposição de perdas anteriores e reivindicam uma recomposição de 14,64%.
O movimento dos professores foi reforçado pela presença de Beatriz Cerqueira, presidente estadual da CUT e coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE).

