Esportista, árbitra e mãe de atletas: Luciana Carneiro fala sobre família e rotina no esporte

Luciana Carneiro busca formar bons cidadãos através do esporte


Por Davi Sampaio

07/05/2026 às 07h00

Em entrevista ao programa “Dá Jogo”, transmitido semanalmente às quartas-feiras, às 11h30, no YouTube da Tribuna de Minas, a educadora física e árbitra e jogadora de vôlei, Luciana Carneiro, contou sobre a relação familiar com o esporte. O marido, André Silva, é técnico do JF Vôlei; o filho mais velho, Gabriel, de 16 anos, é ponteiro do Sada Cruzeiro; e o mais novo, Rafael, é poliatleta: pivô no futsal do Clube Bom Pastor, zagueiro no futebol de campo do Sport Club e ponteiro no JF Vôlei.

Na entrevista, Luciana abordou sobre a formação dos filhos, o envolvimento familiar com o esporte, e a conciliação da rotina. Confira.

Luciana Carneiro foto Marcelo Costa
Luciana, Rafael, André e Gabriel em jogo do JF Vôlei (Foto: Coast FC)

Tribuna de Minas: Qual é o principal objetivo de vocês com o esporte dentro de casa?
Luciana Carneiro: De forma geral, é formar bons atletas e, se Deus quiser, boas pessoas também. Porque, mais do que atletas, o que a gente precisa deixar para o mundo são bons seres humanos.

Tribuna: Rafael, quais esportes você pratica hoje?
Rafael Carneiro: Futebol de campo pelo Esporte, futsal pelo Bom Pastor e vôlei no JF Vôlei. Mas, por enquanto, prefiro mais o futebol de campo. Se eu começar a gostar mais do vôlei ou do futsal, aí escolho um deles. No campo, sou zagueiro e lateral. No futsal, jogo de ala e pivô. E no vôlei, sou ponteiro.

Tribuna: E o Gabriel, que saiu de casa para jogar?
Luciana: Está no Sada Cruzeiro, graças a Deus. Mudou de casa, de escola, de time… mudou de vida. E está dando certo. Ele joga no sub-16 e já está indo para o sub-17 também.

Tribuna: Como você lida com essa distância?
Luciana: (O coração) fica apertado, dolorido, dá saudade. Mas a gente sabe que é por uma boa causa. Ele ficou no JF Vôlei desde os 11 anos, depois foi emprestado para um campeonato, foi bem, e aí organizamos tudo para ele ir de vez. Hoje está bem cuidado, em uma equipe séria, com bons treinadores e boa escola.

Tribuna: Ele já teve conquistas importantes?
Luciana: Foi vice-campeão do Brasileiro de Seleções com Minas Gerais. Se não me engano, fazia anos que o estado não subia ao pódio. Foi um campeonato muito forte.

Tribuna: E já tem outro filho querendo seguir o mesmo caminho?
Luciana: Já (risos). Ele fica perguntando quando vai ser a vez dele. Mas ainda está dividido entre as modalidades.

Tribuna: O Rafael sempre foi assim, envolvido com vários esportes?
Luciana: Sempre. Já fez basquete, natação… é muito polivalente. Tem uma habilidade esportiva acima do padrão.

Tribuna: Como começou essa relação da família com o esporte?
Luciana: Vem de casa. Minha mãe já foi atleta profissional, jogou pelo Minas. Eu cresci com o vôlei. Saí de casa cedo para jogar, depois fui fazer faculdade e conheci o André nos Jogos do Interior de Minas. Estamos juntos há 23 anos.

Tribuna: Vocês sempre quiseram passar isso para os filhos?
Luciana: Sempre. E ver que está dando certo é gratificante. O esporte ensina muito além da técnica: respeito, hierarquia, resiliência. Vai muito além de ganhar ou perder.

Tribuna: O que mais te orgulha neles?
Luciana: Claro que é bom ver se destacando. Mas o mais importante é como lidam com as derrotas, como se levantam. Isso é para a vida.

Tribuna: Como é a rotina da família com tanto esporte?
Luciana: A gente fala de esporte o tempo todo. Tenta dosar, mas é difícil. Somos muito competitivos e estamos sempre acompanhando, conversando, dando feedback.

Tribuna: E agora tem um detalhe especial: pai contra filho em quadra…
Luciana: Pois é. O André, como auxiliar do JF Vôlei, vai enfrentar o Gabriel, que está no Sada.

Tribuna: E você vai torcer para quem?
Luciana: Eu não sei (risos). Quero um bom jogo, que todo mundo jogue bem.

Tribuna: Rafael, como é crescer em uma família tão envolvida no esporte?
Rafael: É muito bom. Eles me apoiam em tudo, no esporte e nos estudos. Eu tento aprender com o que eu erro e acerto.

Tribuna: E quem cobra mais?
Rafael: A minha mãe.

Tribuna: Luciana, que conselho você daria para outras mães de atletas?
Luciana: Persistam, mas com equilíbrio. O esporte não pode ser a única forma de realização. Tem que deixar a criança ser criança. Às vezes é momento de seguir, às vezes de parar.

Tribuna: Existe muita pressão no ambiente esportivo?
Luciana: Existe. E às vezes passa do limite. Eu mesma já briguei em beira de campo, mas sempre tentando motivar. Quem orienta é o técnico, eu estou ali para apoiar.

Tribuna: E como proteger os filhos disso?
Luciana: Ensino ele a se posicionar, a procurar o árbitro, a não guardar esse tipo de coisa. O esporte também tem papel educativo, inclusive fora da quadra.

Tribuna: Como foi a última temporada do JF Vôlei dentro de casa?
Luciana: Muito intensa. O André vive aquilo. Foi uma temporada difícil, de muita dedicação. A gente teve que dar suporte em casa para ele focar. Crescemos muito como família.

Tribuna: Rafael, como foi viver o acesso do time?
Rafael: Foi muito emocionante. Eu estava na arquibancada, gritando muito. Depois falei com meu pai que estava muito feliz por ele, pela família e pelo time.

Tribuna: Como é sua rotina hoje?
Rafael: Estudo de manhã e treino quase todos os dias. Às vezes treino mais de uma vez. E fim de semana tem jogo.
Luciana: É a minha briga com ele. O esporte é maravilhoso, mas não pode ser a única opção. Ele precisa estudar e, principalmente, ser uma boa pessoa.

Tribuna: O que você espera para o futuro dos seus filhos?
Luciana: Mais do que grandes atletas, quero que sejam pessoas do bem. Quem ama diz “não”, e eu vou dizer quantas vezes for preciso.

Tribuna: A quadra e o campo são uma extensão da casa?
Luciana: Com certeza. O comportamento tem que ser o mesmo em qualquer lugar. Eu acompanho tudo, mesmo com o Gabriel longe. A gente precisa cuidar dessa geração.

Tribuna: E como você se define como mãe nesse processo?
Luciana: A chata (risos). E não ligo para isso. Quero que eles levem coisas boas para o mundo. Lá na frente, eles vão entender.

Tribuna: E o caminho?
Luciana: Seguir tentando fazer o melhor todos os dias.