Suspensão de aulas também impacta economia local

Uma das expectativas para melhorar movimento no comércio e em restaurantes era retorno das aulas na UFJF, que não vai ocorrer na próxima semana (LEONARDO COSTA/29-07-15)

Sujeira se espalha pelo campus (OLAVO PRAZERES/29-07-15)
A suspensão do início do semestre letivo da UFJF não oferece transtornos somente à comunidade acadêmica. Setores imobiliário, comércio e serviços já preveem perdas com a redução do fluxo de estudantes no início de agosto. As estimativas das entidades representativas de cada setor é de um impacto brusco nas negociações, dado o número de mais de dez mil alunos da graduação que não irão retornar às aulas. No entanto, ainda não existem cálculos. A decisão de suspender o calendário acadêmico foi tomada após duas reuniões do Conselho Universitário (Consu) da UFJF.
De acordo com o presidente da Associação Juizforana Administradora de Imóveis (Ajadi), Antônio Dias, a situação afeta diretamente locadores e locatários de imóveis. “Contratos de locação já foram assinados, alguns prorrogados, mas como os contratos não estão condicionados ao funcionamento das universidades, as pessoas terão um prejuízo muito grande. São implicações muito grandes. O locador já pode ter feito despesa contando com a receita do aluguel. Quem já assinou o contrato vai pagar sem ser usado. Não é um impacto, é uma tsunami.”
Outro setor impactado é o de restaurantes e bares. Gerente do restaurante Ki-Delícia, Flávio Cândido já prevê perdas. “Diminui-se o número de estudantes, mas também de pais que vêm à cidade visitar o filho, para saber onde ele irá morar. Esse movimento de início de período gera um boom de pessoas que almoçam nos restaurantes, vão ao comércio. Adiar isso só contribui para o cenário de crise”, lamenta. O diretor executivo da Abrasel Zona da Mata, Marcos Henrique Miranda, reconhece as perdas, principalmente no setor de entretenimento e lazer. “Estudantes têm uma vida social, vão aos bares como alternativa de entretenimento. Não há a menor dúvida de que é mais uma negatividade em um ano de dificuldade, que já acumula uma queda geral de 20%”, diz.
O presidente do Sindicomércio, Emerson Beloti, destaca as perdas para o setor comercial. “Juiz de Fora é hoje uma cidade extremamente estudantil e de serviços. Muitos estudantes moram fora da cidade. Qualquer tipo de eventual paralisação que envolva milhares de pessoas causa transtorno para o comércio.” Diante da situação, o presidente da CDL, Marcos Tadeu Casarin, afirma ser necessário orientar os lojistas. “O comércio não pode parar, tem que se adaptar. É preciso continuar administrando.”
Transtornos
Por meio de sua assessoria, a administração da UFJF afirma ter consciência dos transtornos gerados tanto aos estudantes quanto às famílias pela suspensão. No entanto, afirma que a decisão é uma circunstância externa à universidade, superior à sua capacidade de solução, levando ao adiamento. A instituição afirma que aguarda um desfecho na negociação com o Governo para a aprovação de novo calendário acadêmico e início do período.
Grupos acadêmicos se manifestam sobre decisão
Diante da decisão tomada pelo Conselho Universitário (Consu) de suspender as aulas, alguns grupos da comunidade acadêmica já se posicionaram. O Diretório Acadêmico (DA) Benjamin Colucci, da Faculdade de Direito, convocou uma reunião do Conselho de Diretórios e Centros Acadêmicos (Concada) para a próxima segunda-feira, tendo como pauta única a suspensão do calendário acadêmico. Já o Movimento Kizomba, representado por dois estudantes na reunião do Consu, publicou nota nas redes sociais questionando a suspensão do período como forma de solucionar as dificuldades enfrentadas pela UFJF. Questionam se não seria uma forma de “esvaziar a universidade” já que problemas, como o apoio estudantil, ainda não foram solucionados e “quais os custos economizados com a não ocorrência das aulas”. Protagonistas da ocupação à Reitoria em maio deste ano, integrantes do movimento Ocupa UFJF se reuniram ontem para definir uma postura em relação à decisão do Consu. A previsão é que se manifestem, por nota, ainda hoje.
Em entrevista à Tribuna na noite de terça, o pró-Reitor de Planejamento, Orçamento e Gestão, Alexandre Zanini, expôs os cortes orçamentários propostos pelo Governo federal. Segundo Zanini, foram reduzidos em 10% o orçamento para custeio – de R$ 80 milhões para R$ 72 milhões – e 47% no de capital – de R$ 61 milhões para R$ 30 milhões. A Secretaria de Comunicação da UFJF informou que já foram gastos R$ 50 milhões do valor de custeio disponível para o período de 2015, sendo apenas R$ 22 milhões o valor disponível para se concluir o ano letivo. Este montante garantiria o funcionamento da universidade por apenas dois meses, já que o custo mensal varia entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões. A universidade propôs ao MEC que seja feita a transferência do orçamento de capital para custeio, possibilitando o término do ano letivo. A resposta deve ser dada no início de agosto. Ontem a UFJF assegurou o pagamento da primeira parcela das bolsas de intercâmbio do Programa de Intercâmbio Internacional de Graduação (PII-GRAD), que será realizado de forma prioritária, tão logo os recursos sejam liberados pelo MEC.
Lixo na universidade
Um dos problemas que tem sido notado pelas pessoas que fazem uso do anel viário da UFJF é a falta de limpeza do local. Com lixeiras lotadas e falta de varrição, a conservação do espaço está comprometida devido ao fim do período do contrato com a empresa que era responsável pela manutenção. Diante da falência da empresa Terceiriza, a UFJF arcou com o pagamento dos funcionários até o dia 22 de julho. De acordo com a Secretaria de Comunicação, novo edital já foi elaborado e deve ser publicado nos próximos dias. O serviço de limpeza está sendo realizado em caráter emergencial, com efetivo reduzido do quadro de servidores de técnicos-administrativos. A universidade explica ainda que, no período das férias, a situação se agrava devido à maior circulação de pessoas pelo campus.









