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Juiz de Fora cria 551 postos de trabalho em fevereiro

Apesar do saldo positivo, em 12 meses foram extintos mais de quatro mil empregos no município


Por Leticya Bernadete e Renato Salles - repórteres

30/03/2021 às 17h37

Em fevereiro deste ano, Juiz de Fora abriu 551 postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério da Economia nesta terça-feira (30). O desempenho é resultado das 4.393 admissões ante as 3.842 demissões feitas no período. No mês de referência, o aumento na empregabilidade ocorreu, especialmente, pelos saldos de comércio, indústria e construção (ver quadro). Apesar do valor positivo, em 12 meses (março de 2020 a fevereiro de 2021), Juiz de Fora acumulou 4.083 postos de trabalho extintos.

No caso do comércio, houve o maior saldo positivo: 315 novos empregos. Em fevereiro, foram 1.319 admissões e 1.004 desligamentos. Os números surgem após uma baixa no setor, que registrou, em janeiro, o fechamento de 303 postos. Na ocasião, foram 847 admissões e 1.150 desligamentos. O desempenho de fevereiro foi melhor, inclusive, que o mesmo período no ano passado. Em fevereiro de 2020, o comércio fechou 220 empregos.

Em relação à indústria, em fevereiro deste ano, manteve tendência positiva em comparação com o mesmo período de 2020 e, também, ante o mês anterior. Em fevereiro do ano passado, foram criados 101 postos de trabalho. Em janeiro deste ano, foram 131. Já em fevereiro de 2021, o setor abriu 218 novas oportunidades.

A construção também registrou aumento na empregabilidade no mês. Com 494 trabalhadores contratados e 359 demitidos, o setor criou 135 postos de trabalho. No mês anterior, o saldo também foi positivo, com 81 novos empregos. A tendência seguiu o registrado em fevereiro de 2020, quando houve a criação de 122 postos de trabalho.

Setores em baixa

Ao contrário do que foi registrado em janeiro, o setor de serviços registrou baixas na empregabilidade. Foram 1.891 admissões e 2.005 desligamentos, com 114 postos fechados em fevereiro, enquanto, em janeiro, o saldo foi positivo, com 140 empregos criados. Em fevereiro do ano passado, o setor havia registrado alta de empregos, com a abertura de 338 postos de trabalho.

Sindicomércio teme novos reflexos da pandemia na empregabilidade

Apesar do saldo positivo observado no comércio em fevereiro, o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Belotti, se mostra temerário com o cenário da empregabilidade a partir de março, por conta da ampliação das medidas restritivas de enfrentamento à pandemia da Covid-19, implementadas por decretos municipais e pela onda roxa do programa estadual Minas Consciente. “Em fevereiro tivemos esse resultado, pois o comércio estava aberto. Agora, vamos para 30 dias fechados. Isso vai causar impactos na empregabilidade, sem dúvida.”

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“As empresas já não estão resistindo. Não têm mais fôlego. Não vejo um cenário promissor de empregabilidade. Pelo contrário. Temos que nos preocupar com isso. O maior setor empregador de Juiz de Fora é o comércio, que tem um universo de 44 mil trabalhadores. Essa recuperação da economia se mostra cada vez mais lenta, e o setor se enfraquece cada vez mais”, avalia Belotti.

O presidente do Sindicomércio cobra celeridade em políticas públicas que permitam a retomada do segmento, como o avanço da vacinação, e dê fôlego ao setor, como a edição de novo medida provisória pelo Governo federal, nos moldes do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm) colocado em prática no ano passado.

“A questão agora é dar agilidade na vacinação. Já temos cidades vacinando de domingo a domingo para intensificar a imunização, e Juiz de Fora ainda não chegou neste ponto. Com uma maior eficiência e agilidade na vacinação, haverá mais segurança para o comércio abrir”, afirma, antes de resumir sua preocupação com um questionamento. “Queria ser mais otimista, mas não vejo um cenário de empregabilidade. Se não houver empregabilidade, como teremos consumo?”

Minas e Brasil também mantém saldos positivos

Minas Gerais também registrou balanço positivo em fevereiro. Com 182.895 contratações e 130.956 demissões, o saldo positivo foi de 51.939, impulsionado, sobretudo, pelos setores de serviços e indústria. Os números superaram o do mês anterior, quando foram criados 25.617 postos de trabalho formais, e do mesmo período no ano passado, com 27.255 novas oportunidades. Dentre os estados, apenas o de São Paulo registrou saldo maior do que o de Minas: 128.505.

No Brasil, o estoque chegou a 401.639 em fevereiro. Foram 1.694.604 admissões e 1.292.965 desligamentos. A empregabilidade no país também superou a registrado no mês anterior e no mesmo período de 2020. Em janeiro, o saldo foi de 260.353 novos empregos formais. Já em fevereiro do ano passado, foram criados 225.648 postos de trabalho.

Em coletiva de imprensa realizada nesta terça, o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, destacou que o saldo positivo registrado no país ocorreu em função de uma série de políticas públicas, especialmente as voltadas à proteção do emprego. “Eu creio que a solidez de todas essas políticas e também os resultados que estamos colhendo certamente são frutos não só das medidas emergenciais, mas de tudo que foi feito para que pudéssemos robustecer o mercado de trabalho”, diz.

Por outro lado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, relembrou os empregos informais no Brasil, destacando que a vacinação contra a Covid-19 é o principal caminho para auxiliar essa parcela dos trabalhadores. “Os números de fevereiro indicam que nós estamos definitivamente no caminho certo do ponto de vista de recuperação das atividades econômicas. O nosso foco agora tem que ser a vacinação em massa, principalmente para a proteção dos quase 40 milhões de brasileiros do mercado informal”, diz.

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