Volta às aulas aumenta compras em lojas físicas e leva papelarias a estender horário em Juiz de Fora
Volta às aulas aquece o comércio, apesar da alta de preços, e Procon aponta reajustes em toda a lista de material escolar
A poucos dias do início do calendário letivo, a volta às aulas em fevereiro tem reforçado o retorno das compras presenciais de material escolar em Juiz de Fora, com aumento da circulação em papelarias e previsão de horário estendido no comércio até 13 de fevereiro. Ao mesmo tempo, levantamento do Procon local indica que, em comparação com o ano anterior, todos os itens da lista de material escolar tiveram aumento de preço.
O maior reajuste no período foi registrado na caixa de giz de cera, com alta de 78,44%. O percentual é superior à inflação de 4,26% no acumulado de 12 meses do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.
Com os valores atuais, para comprar todo o material escolar indicado na lista em uma única papelaria, o consumidor juiz-forano pode desembolsar entre R$ 240,45 e R$ 410,50. Na comparação de preços entre estabelecimentos, a caixa com 12 unidades de tinta guache apresentou variação de 93,60%; o lápis preto, de 88,80%; a lapiseira 0,5 mm, de 86,10%; o lápis nº 2, de 85,70%; e o apontador simples, de 84%. As menores variações foram observadas na folha de EVA (37,10%), na caixa de cola colorida com seis unidades (40,20%), na unidade de papel crepom (45,70%), na cola branca líquida (45,70%) e na paleta de tinta aquarela com 12 cores (47,30%).
Em Minas Gerais, 30,2% do comércio deste setor considera que as vendas de materiais escolares estão melhores do que as do ano passado, segundo pesquisa realizada pela Fecomércio-MG. A perspectiva positiva, mesmo com a alta de preços, também foi percebida em Juiz de Fora, onde a última semana de janeiro teve aumento na circulação de clientes em lojas físicas e satisfação dos comerciantes com a demanda.
Ainda de acordo com a pesquisa, quase metade do empresariado mineiro estima que cada cliente gaste entre R$ 100 e R$ 300, faixa semelhante à projetada por comerciantes juiz-foranos. A perspectiva positiva é atribuída ao aquecimento econômico, à oferta de novos produtos e às ações promocionais do período. “A combinação entre atendimento e produtos diferenciados acrescido de ofertas variadas tende a aumentar a conversão de vendas nas lojas”, analisa Fernanda Gonçalves, economista da Fecomércio-MG.
Retorno às lojas físicas: momento lúdico e incentivo ao comércio

Mesmo sob chuva na tarde da segunda-feira (26), famílias e estudantes lotavam papelarias no Centro de Juiz de Fora. A movimentação indica a retomada das compras presenciais de material escolar na cidade, em um período em que comerciantes relatam desde estabilidade nas vendas até aumento na procura, além de destacarem o caráter “lúdico” da escolha dos itens com as crianças e a busca por alternativas mais baratas diante dos preços.
Em um estabelecimento comercial tradicional na região Central, o gerente Daniel Braga, 44, avalia que as vendas estão estáveis em relação ao ano passado, com tíquete médio entre R$ 300 e R$ 500. “Não notamos nenhum crescimento substancial, mas também nenhum decréscimo. Notamos que, neste ano, as famílias têm buscado alternativas mais baratas às marcas tradicionais do mercado.”
O gerente considera “impossível” praticar preços semelhantes aos de sites e aplicativos, mas afirma ter notado um movimento de retorno de consumidores às compras presenciais. “A compra de material escolar é um momento lúdico. A criança vem junto com a família, consegue dividir esse momento. Geralmente, as crianças não ficam muito animadas para voltar a estudar, então essa compra é um estímulo para animá-las. O contato físico com as lojas está sendo bem procurado, principalmente quanto aos materiais sensoriais como tinta, lápis e canetinhas.”
Para algumas famílias, o momento da compra presencial segue como tradição. A estudante Ana Júlia Ribeiro, 11, foi à papelaria acompanhada da mãe, do pai e de uma tia. A mãe, Gislaine Ribeiro, 42, conta que reserva uma quantia para as compras e reúne a família no início de cada ano. “É um incentivo para ela estudar. Ela fica muito feliz, pois é muito estudiosa, e para nós é gratificante.”
Em outra papelaria na Rua Halfeld, no Centro, famílias também pesquisavam preços de materiais escolares. O gerente do estabelecimento Albert Oliveira, 45, que trabalha na loja há seis anos, afirma que, em 2026, as vendas do setor têm saldo positivo e superam as expectativas. “Nós sentimos que nas últimas semanas, quando aproximamos do retorno às aulas, as compras tendem a aumentar, pois as pessoas têm mais tempo de sobra e aproveitam mais.” Para atender ao aumento do movimento, a papelaria reforçou a equipe com seis novas contratações.
Segundo ele, o tíquete médio de compras tem ficado entre R$ 250 e R$ 500. Entre os produtos mais procurados estão cadernos, colas, lápis de cor e mochilas. “Todos os anos temos muita procura por cadernos e artigos de personagens. Neste ano, os produtos do Stitch e de capivaras continuam sendo os mais procurados.”
No meio do fluxo de clientes, a estudante Maria Eduarda Gonçalves, 11, acompanhada da mãe Ana Cristina Gonçalves, 45, buscava “cadernos bonitos”, especialmente na cor rosa. A estudante afirmou que comprou apenas o que constava na lista escolar e que decidiu manter por mais um ano a mochila que já utilizava.
Na mesma loja, a estudante Bárbara Cunha, 16, comprava o material sozinha pela primeira vez. Ela escolheu post-its coloridos e um caderno grande de 15 matérias. “Também comprei um caderno de uma banda que eu gosto muito, a Charlie Brown Jr. Tenho tudo deles praticamente, então comprei esse caderno para representar algo que gosto muito para me incentivar a estudar mais”, disse, ao relatar que o interesse foi influenciado pelo pai, músico.
Comércio tem horário estendido durante retomada das aulas
Em Juiz de Fora, a rede municipal de ensino inicia o calendário letivo em 2 de fevereiro. O calendário da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) prevê o retorno das aulas nas escolas estaduais em 4 de fevereiro (quarta-feira). Na rede privada, a retomada também ocorre na primeira semana de fevereiro, com datas definidas por cada instituição, conforme o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG).
Com a expectativa de maior procura na última quinzena de janeiro e no início de fevereiro, o Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio JF) autorizou papelarias, livrarias e lojas de materiais escolares a funcionarem em horário especial até 13 de fevereiro. De segunda a sexta-feira, o comércio poderá abrir das 8h30 às 20h. Aos sábados, o funcionamento autorizado é das 8h30 às 16h.
Tópicos: material escolar / volta às aulas