Mais de 100 sugestões para transporte em JF


Atualmente, mais de 60% das viagens diárias passam pelo Centro de Juiz de Fora
Mais de cem propostas relacionadas à concessão do transporte coletivo em Juiz de Fora foram encaminhadas à Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra). Este é o balanço prévio divulgado pela Prefeitura ontem, nove dias após a realização da primeira audiência pública sobre o tema, considerada pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB) o primeiro passo para o início do processo licitatório. O segundo encontro está marcado para o dia 10 de fevereiro, na Câmara Municipal. O edital está previsto para chegar às ruas ainda no primeiro semestre.
Conforme a Settra, entre as 109 propostas formalizadas até ontem, destaque para ampliação de frota e horários para atendimento aos bairros, revisão dos terminais para interligar regiões e implantação de linhas de circulação nos bairros integradas às que circulam só no Centro, diminuindo o fluxo na área central. Na lista, estão, ainda, pedidos como ampliação de linhas regionais ligando à UFJF, investimento em Bus Rapid Transit (BRT), aumento da exigência em relação a limpeza e lotação dos ônibus e disponibilização de quadro de horários nos pontos.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo (Sinttro), Adilson Rezende, reclama do “descaso” com a categoria na condução do processo. Ele cobra que o processo licitatório contemple melhorias nas condições de trabalho e “salário justo” para os trabalhadores, que somam cerca de cinco mil na cidade. “Isso causa indignação e preocupa.” O presidente pretende pleitear a garantia de emprego na próxima audiência. “Gostaria de anunciar à população que, se não formos recebidos para conversar sobre as nossas reivindicações, vamos paralisar o transporte por uma ou duas horas por dia”, ameaçou.
Sobre o posicionamento do Sinttro, a Settra, por meio de sua assessoria, afirma que realiza reuniões mensais com a entidade de classe e que o processo tem sido esclarecido para todos os interessados, inclusive o sindicato. A informação é que não há intenção de prejudicar ninguém, e que a Prefeitura está aberta a discutir o assunto.
A Associação dos Usuários de Transporte Coletivo em Juiz de Fora pretende apresentar suas propostas publicamente também no dia 10. Além de exibir um projeto de logística para a cidade, cujos detalhes não foram antecipados, o presidente da entidade Chico Anísio reforçou a necessidade de rever os critérios antigos de concessão, substituindo-os por novos que atendam aos interesses dos usuários. As reivindicações comuns nos pontos de ônibus, diz, referem-se à necessidade de respeito aos horários e fim da superlotação das viagens com destino aos bairros, especialmente em horários de pico.
Objetivo deve ser ‘animar’ as pessoas a deixar o carro em casa
Para o mestre em Engenharia de Transportes José Luiz Britto Bastos, o transporte coletivo juiz-forano é de “péssima qualidade”. Ele cita ônibus sem conforto, atrasos recorrentes e convergência para a área central, na medida em que pelo menos 70% das linhas trafegam pelo Centro. “Precisamos ter um serviço perfeito e regular, para fazer com que as pessoas se animem a deixar o automóvel em casa para andarem de ônibus, melhorando a mobilidade urbana.”
Na sua avaliação, as propostas apresentadas na primeira audiência, baseadas em estudo realizado pela Tecnotran Engenharia desde meados de 2013, são consideradas bem estruturadas. Uma das indicações da pesquisa é que a concorrência ocorra por meio de dois lotes, dividindo o município em três áreas operacionais. O projeto também determina uma série de ações a serem cumpridas durante o prazo de concessão, estimado em 20 anos. “Todos os problemas que Juiz de Fora tem foram contemplados”, considera.
Entre as sugestões do especialista estão o retorno do ônibus articulado e dos cinco terminais de transbordo, pagamento antecipado da tarifa, evitando atraso no embarque, e uso em potencialidade de mecanismos já implementados, com o GPS e a bilhetagem eletrônica. Britto preocupa-se, no entanto, com o peso da participação popular neste processo. “Uma coisa é a visão técnica, outra é a visão do povo.” O receio é que o interesse particular se sobreponha ao coletivo nas discussões sobre a licitação.
A Assembléia Nacional de Estudantes Livre (Anel) em Juiz de Fora, por meio de sua página no facebook, considera a licitação uma “enganação”. “Não queremos nosso direito na mão de outros empresários. Lutamos pela municipalização e pelo Passe Livre estudantil.” A Astransp foi procurada, mas preferiu não se posicionar sobre o assunto.
Segundo o secretário de Transporte e Trânsito, Rodrigo Tortoriello, a participação da população tem sido enriquecedora para o processo. “Assim que encerrado o prazo para envio das propostas, a Settra, juntamente com a equipe técnica, vai avaliar as sugestões e, caso sejam viáveis, inseri-las no edital, que subsidiará a licitação do transporte público,” explica. A equipe técnica é composta por um representante da Tecnotran – contratada para realizar o estudo do sistema de transporte -, a presidente da Comissão Permanente de Licitação, Rafaela Couri, e o procurador-geral do Município, Leonardo Guedes.
Conforme a Settra,não há prazo limite para envio das sugestões, que devem ser encaminhadas pela internet, com o preenchimento de formulário disponível no site www.pjf.mg.gov.br/secretarias/settra/formulario/form.php.










