Etanol mais barato nos postos


Por EDUARDO VALENTE*

28/04/2016 às 07h00- Atualizada 28/04/2016 às 11h23

Cartaz na bomba informa vantagem em abastecer veículo com álcool (MARCELO RIBEIRO/27-04-16)

Cartaz na bomba informa vantagem em abastecer veículo com álcool (MARCELO RIBEIRO/27-04-16)

O preço do litro do etanol, comercializado em Juiz de Fora, está em declínio, embora nem todos os postos tenham reduzido o preço para o consumidor. Levantamento feito na tarde de ontem pela Tribuna, aleatoriamente em dez estabelecimentos, aponta que o valor médio do combustível está em R$ 2,59, sendo o mais barato encontrado a R$ 2,28 e o mais caro a R$ 3,09. Desta forma, em alguns casos, já está mais vantajoso abastecer os veículos flex com álcool, mesmo seu desempenho sendo cerca de 70% o da gasolina. A redução nos preços é resultado da safra da cana-de-açúcar e, consequentemente, a maior produção do combustível. A última pesquisa oficial feita na cidade pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), no último dia 19, já apontava a queda, estimada em 6,2% com relação ao início do mês. Novo levantamento deve ser publicado na próxima semana.

O Posto São José, na Rua Benjamin Constant, é onde a Tribuna encontrou o etanol mais barato na tarde de ontem. De acordo com a gerente do estabelecimento, Juliana de Oliveira, as distribuidoras estão vendendo o produto mais barato desde a semana passada, o que permitiu o repasse ao cliente. “Acontece todo ano nesta época. Ainda não sei se vai cair mais (o custo na distribuidora), mas se isso acontecer, podemos reduzir ainda mais o preço nas bombas.” Segundo ela, já é evidente o aumento da demanda por este combustível. “A gasolina ainda vende mais, mas a tendência, a partir de agora, é a procura ir se igualando.” Ainda segundo a gerente, a gasolina também teve declínio, já que é composta por 27% de etanol.

O empresário Marcelo Rodrigues Sepúlveda, 45 anos, já fez a mudança de combustível. “Já está mais vantajoso, e espero que este preço se estabilize por um tempo.” Opinião semelhante tem o publicitário Guilherme Augusto, 33. Ele avalia que, pelos valores praticados, o álcool já é uma boa escolha. No entanto, ele não acredita em nova redução significativa em curto prazo.

Conforme o presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Alberto Jacometti, a queda nos preços depende de algumas variáveis, como o estoque armazenado e o custo operacional de cada posto. “Tem estabelecimento com etanol ainda comprado no preço antigo, porque vende pouco do combustível. Dependendo do lugar, esta redução pode levar até 15 dias”, avaliou.

Estabilização

O presidente também avalia que, no momento, a perspectiva é de estabilização no preço. “Andou caindo nas distribuidoras, mas já estabilizou da última semana para esta. Então não acredito em mais redução, a não ser daqueles postos que, como eu disse, estão com o estoque antigo.” Perguntado sobre a possibilidade de declínio, também, no valor praticado pelo litro da gasolina, Jacometti é cauteloso. “Seria para cair (por causa da mistura de etanol no produto), mas as distribuidoras demoram muito para repassar. Quando o preço sobe, o reflexo é muito rápido, mas na redução é lento.”

Pesquisa indica tendência de queda

Na comparação entre a última pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) realizada na cidade, no dia 19, com a anterior, feita entre 23 de março e 2 de abril, a relação entre o custo da gasolina e do etanol em Juiz de Fora caiu mais de cinco pontos. Pelos dados oficiais, o preço médio do litro do álcool (R$ 2,787) correspondia a 74,3% do valor médio cobrado pelo litro da gasolina na cidade (R$ 3,751). Assim, a proporção observada, nos dois primeiros dias de abril, era de 79,8% (o preço médio da gasolina era de R$ 3,722 e o do etanol, R$ 2,97).

Por este resultado, ainda não era recomendado abastecer com álcool para economizar dinheiro, já o levantamento feito pela reportagem aponta que, em alguns estabelecimentos, a vantagem agora existe. Desta forma, a orientação é que o consumidor pesquise antes de encher o tanque. Na última avaliação da ANP, por exemplo, a variação entre o preço mínimo e o máximo do etanol era de aproximadamente 16%. Com relação à gasolina, a diferença era de até 8,7%.

* colaborou Renato Salles