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Comércio adapta vendas para a segunda Páscoa durante a pandemia

Pesquisa aponta cautela de vendedores, que apostam nas plataformas on-line para driblar o lockdown


Por Gabriel Silva e Luiza Sudré, estagiários sob supervisão da editora Fabíola Costa

28/03/2021 às 07h00

Pelo segundo ano consecutivo, o comércio de Juiz de Fora precisa fazer adaptações severas durante a Páscoa, considerada a terceira data comemorativa mais rentável para o setor. Em meio ao lockdown imposto em todo o território estadual pelo programa Minas Consciente, os comerciantes apostam nas plataformas on-line para concretizar as vendas e diminuir o impacto da pandemia de coronavírus. O consumidor, por outro lado, investe na pesquisa de preços para conseguir ter custos mais acessíveis em um cenário de piora econômica.

Desde o último dia 8, o comércio considerado não essencial funciona apenas por delivery em Juiz de Fora. A restrição, que busca diminuir a circulação de pessoas nas ruas e conter a proliferação do coronavírus no município, impede o tradicional contato físico entre lojistas e consumidores nas lojas especializadas.

Com a obrigatoriedade de restringir os atendimentos ao modelo on-line, os comerciantes buscam se reinventar pelas plataformas digitais, como aponta o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), Emerson Beloti. “A maioria das empresas está trabalhando ativamente no delivery. A gente percebe que elas estão mostrando muito mais força do que antes (no comércio on-line)”, observa. “É uma coisa que veio para ficar. Quando voltar o comércio, as pessoas ainda vão conviver muito com isso”, reflete Beloti.

Redes sociais na dianteira

Durante o processo de digitalização do consumo, os aplicativos de delivery e as redes sociais assumem o protagonismo. O mesmo ocorreu no ano passado, quando o início da circulação do coronavírus em Juiz de Fora também provocou um cenário atípico. Para a empresária Lúcia Rocha Barbosa, franqueada da Cacau Show no município, as vendas deste ano acontecem em um contexto de melhor adaptação do comércio. “Neste ano, as nossas plataformas de mídia digital estão mais estruturadas. A nossa demanda maior das vendas está sendo através desses canais digitais, seja pelo Instagram ou pelos aplicativos”, conta.

Com o amadurecimento do modelo digital, a expectativa da empresária é que as vendas deste ano superem as do ano anterior. “Nós temos um crescimento (nas primeiras semanas), mesmo que não muito acelerado, em relação ao ano passado. A minha expectativa, com as mídias digitais, é que a gente tenha um período muito bom”, projeta.

Do outro lado do “balcão virtual”, a publicitária Mariana Almeida utiliza as redes sociais para encontrar o melhor preço na compra de chocolates. “Durante a pandemia, houve um momento em que eu ainda ia nas lojas físicas. Mas, pela pandemia e também pela comodidade, eu comecei a intensificar a busca por produtos pela internet”, relata a consumidora, que utiliza majoritariamente o Instagram para conferir os melhores locais de compra.

Preocupada com o agravamento da crise econômica, Mariana considera que os produtos estão mais caros do que nos anos anteriores, o que causa mais receio no momento da compra. “Os preços, com certeza, estão mais altos. Eu cheguei a repensar se eu compraria determinado produto por conta disso”, afirma. “Antes da pandemia, era mais confortável de você pensar em gastar o dinheiro com algo que tenha o valor mais alto. Mas, durante a pandemia, você passa a ter que fazer escolhas”, avalia a publicitária.

Claudia Ribeiro investiu no e-commerce e espera “boom” de vendas nos dias que antecedem a data (Foto: Fernando Priamo)

Pandemia provoca mudança de olhar para os pequenos

A empresária Claudia Ribeiro, da Rellicário, comercializa produtos na Páscoa desde 2013. Ela conta que, no ano passado, as vendas aconteceram por delivery. “O cliente não podia retirar seu pedido na porta, então nos desdobramos para entregar.” Claudia lembra que, na época, a demanda foi maior do que a capacidade de entrega. “Tivemos que limitar o número de pedidos para conseguir atender a todos.” Entretanto, mesmo com os gargalos na logística, a empreendedora diz que conseguiu manter o volume de vendas dos outros anos.

Em 2021, como a produção sazonal durante a pandemia não era mais uma novidade, ela decidiu investir no e-commerce. “Criamos o site, que, além de ser mais uma ferramenta de vendas, também proporciona segurança maior para os consumidores.” Claudia explica que, por meio do portal, o cliente pode escolher a data que deseja receber a compra. “Assim, não há preocupação em ir até a loja, ou tentar fazer o pedido pelo delivery, e o produto estar esgotado.” A empresária ressalta, ainda, que o “boom” esperado acontece na última semana de vendas. “A nossa meta é fechada apenas na reta final, devido ao aumento significado dos pedidos nesse período.”

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Para a microempreendedora Yara Lamas Batista dos Santos, da Duetto Doceria, ficar sem vender na Páscoa não era uma alternativa. “Não podíamos adiar as vendas. É o momento que mais lucramos e já tínhamos todo o investimento feito.” Yara conta que foi necessário adaptar a forma de comercializar. A estratégia usada, comenta, foi anunciar os produtos com um mês de antecedência. “Dessa forma, tivemos esse mês para nos adaptarmos ainda mais”, conta.

Venda na Pascoa
Yara Lamas antecipou a apresentação dos produtos, ganhando tempo para preparar a venda (Foto: Arquivo Pessoal)

Os produtos da marca são divulgados na internet, principalmente através do Instagram, onde, segundo Yara, estão seus principais clientes. “Fazemos vídeos, fotos, mostramos como funciona nossa produção, apresentamos nossos produtos.” Conforme a microempreendedora, o lockdown aumentou o receio. “Com algumas lojas fechadas, foi difícil também comprar produtos para a confecção.” Ela avalia, no entanto, que a pandemia tem contribuído para mudar o olhar do consumidor para o microempreendedor. “Sinto que as pessoas têm procurado comprar produtos artesanais, ao invés de optar pelas grandes marcas.”

 

 

Maioria dos empresários mineiros acredita em queda nas vendas

A apreensão do consumidor se reflete na cautela dos comerciantes, segundo a pesquisa Expectativas do Comércio Varejista – Páscoa 2021, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas (Fecomércio-MG). O levantamento mostrou que 54,3% dos empresários acreditam que as vendas serão piores em comparação ao ano passado, enquanto apenas 18,5% acreditam que os resultados serão superiores.

Entre os motivos mais citados pelos empresários para o pessimismo estão a crise econômica (44,7%), a pandemia de coronavírus (43,6%) e a falta de dinheiro/desemprego (35,1%). O estudo ainda mostrou que a Páscoa irá impactar apenas 44,5% das empresas varejistas de gêneros alimentícios de Minas Gerais, retração de 5,2% ante o ano anterior.

Em conversa com a reportagem, a analista de pesquisa da Fecomércio-MG, Carolina Barcelos, destacou a maior cautela dos comerciantes observada este ano. Em 2020, na visão da especialista, os empresários ainda não tinham dimensão do dano que seria causado pelo coronavírus. “Estamos em uma crise econômica provocada pela pandemia, e isso gera desemprego, falta de renda e a cautela do consumidor. Tudo isso são fatores que preocupam os lojistas este ano. No ano passado, a cautela era menor porque não se tinha a noção do impacto que a pandemia causaria no varejo. Hoje em dia, passado um ano, já se tem uma noção”, analisa Carolina.

A pesquisa da Fecomércio tem margem de erro de 5 pontos percentuais e consultou 389 empresas espalhadas pelas dez regiões mineiras.

Supermercadistas projetam crescimento de até 15% nas vendas

Para o setor supermercadista, a Páscoa deve ser positiva. É estimado crescimento de até 15% nas vendas na comparação com 2020, de acordo com o estudo realizado pelo Departamento de Economia e Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). “Em 2020, fomos pegos de surpresa com a chegada da pandemia e do isolamento social bem próximos da Páscoa. Esse ano, o setor se preparou para as vendas remotas e conta, ainda, com uma força maior do e-commerce, que ganhou mais clientes durante a pandemia”, destaca o vice-presidente Institucional e Administrativo da Abras, Marcio Milan.

Dentre os chocolates, os produtos mais tradicionais da data, os itens que possuem menor valor agregado lideram as expectativas dos supermercadistas em relação às vendas. As caixas de bombom devem ser as recordistas de procura deste ano, concentrando 12,9% das apostas, seguidas de barras e tabletes (11,8%) e ovos de Páscoa até 200 gramas (9,4%). Já para o almoço de Páscoa, a maior demanda deve se concentrar em vinhos importados (13,8%) e cervejas (12,9%), além de azeite (13,4%) e pescados – peixes (13%), e bacalhau (12,1%). Em relação aos preços em 2021, os vinhos importados e o bacalhau foram os produtos que sofreram as maiores variações devido ao câmbio, de 15,3% e 15,6%, respectivamente.

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