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MPEs nascem e vivem mais em JF

Juiz de Fora possui 45.599 micro e pequenas empresas (MPEs), o que corresponde a 90% do total de negócios ativos na cidade. Se comparado com 2011, quando o número era de 32.489, houve crescimento de 40% na abertura de pequenos negócios, uma média de mais de 3.200 a cada ano. Além de nascerem mais, estas […]

Por Tribuna

27/12/2014 às 07h00- Atualizada 30/12/2014 às 14h46

Juiz de Fora possui 45.599 micro e pequenas empresas (MPEs), o que corresponde a 90% do total de negócios ativos na cidade. Se comparado com 2011, quando o número era de 32.489, houve crescimento de 40% na abertura de pequenos negócios, uma média de mais de 3.200 a cada ano. Além de nascerem mais, estas empresas também estão vivendo mais. O índice de mortalidade caiu 54% nos últimos quatro anos. Os dados são do portal Empresômetro, criado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em parceria com a Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SPME).

Em Minas Gerais, Juiz de Fora ocupa a quarta posição em número de MPEs, atrás de Belo Horizonte, Uberlândia e Contagem. No estado são mais de 1,3 milhões, que, juntas, arrecadam quase R$ 5 milhões e faturam mais de R$ 56 milhões anualmente. Já no Brasil, as MPEs somam mais de 13,5 milhões, que recolhem em torno de R$ 63 bilhões e faturam mais de R$ 720 bilhões.

Assim como no cenário juiz-forano, as realidades mineira e nacional são de crescimento do surgimento de pequenos negócios e redução da mortalidade dos mesmos. Para especialistas, a situação é fruto de mudanças no comportamento dos micro e pequenos empresários aliada à expansão e facilidade do acesso ao crédito. “Nos anos recentes, a expressão ’empreendedorismo’ se espalhou por universidades e outras instituições de ensino, construindo uma nova geração de empresários que chegam ao mercado com mais informações e maior qualificação”, analisa o consultor da presidência da CNC, Roberto Nogueira Ferreira. “Além disso, a oferta de crédito foi ampliada, e o crédito é um fator importante para a manutenção e evolução de qualquer negócio.”

O gerente regional do Sebrae Minas, João Roberto Marques Lobo, afirma que tem acompanhado uma mudança no perfil dos pequenos empresários juiz-foranos. “Antes eles empreendiam por necessidade. A pessoa não enxergava uma boa possibilidade para abrir um negócio, mas fazia porque precisava ganhar dinheiro. Hoje verificamos uma redução de empresários neste perfil e aumento do que chamamos de empreendedores por oportunidade.” Ele explica que o termo se refere às pessoas que decidem empreender porque perceberam uma boa chance no mercado. “Pesquisas nos mostraram que, há quatro anos, 35% dos empreendedores estavam nesta categoria. Agora são 60%.”

Lobo destaca, ainda, que, com esta mudança de comportamento, as micro e pequenas empresas estão nascendo mais preparadas e se consolidando, de forma a reduzirem a mortalidade. “São negócios mais planejados, que trilham caminhos mais seguros e, por isso, vivem mais.” Ele lembra que, para ser caracterizado como micro empresa, o estabelecimento deve ter faturamento anual de até R$ 360 mil. Já as pequenas empresas faturam até R$ 3,6 milhões por ano.

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Setores

De acordo com as informações do portal Empresômetro, a maior parte das MPEs brasileiras estão empregadas nos setores de comércio e serviços. Juiz de Fora segue a mesma tendência, tendo 7,6% no segmento de vestuário e acessórios, 5,5% lanchonetes, 3,6% armazéns e mercearias, 3% cabeleireiros, 2,4% restaurantes e 2,1% bares. Tendência semelhante ocorre no estado e no país. Pesquisa recente da Confederação Nacional dos Jovens Empresários mostrou que 75% dos jovens empreendedores têm preferência por estas atividades.

“Culturalmente, o brasileiro tem mais tradição na atividade comercial. Nos últimos anos, o setor de serviços cresceu muito. São dois segmentos que precisam de menos capital e tecnologia para dar a partida. Talvez isso explique, em parte, essa preferência”, diz Ferreira. “Apesar da concorrência nesses dois setores ser muito acirrada, ela é mais homogênea também.”

Vantagens

De acordo com Ferreira, uma economia embasada em micro e pequenas empresas tem grande relevância. ” É inegável que qualquer país precisa de grandes empresas que têm mais capacidade de enfrentar o comércio externo, por exemplo, e que são geradoras de inovação e desenvolvimento tecnológico. Mas a força das micro e pequenas empresas e seu papel na economia têm um grande valor, que também é político e social. Elas são indispensáveis ao processo de crescimento e desenvolvimento do país.”

Lobo destaca que países desenvolvidos têm a maior parte da economia em pequenos negócios. “Na Alemanha, por exemplo, 93% das empresas são micro ou pequenas”, compara. “É importante que nossos empresários continuem se qualificando e tornando os negócios cada vez mais fortalecidos, o que é bom para o atendimento ao consumidor, à competitividade do mercado e à dinamização da nossa economia.”

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