Sinttro e Astransp não chegam a acordo


Por Gracielle Nocelli

26/02/2013 às 20h28

Mobilização causou retenções no trânsito na Rua Santo Antônio

Mobilização causou retenções no trânsito na Rua Santo Antônio

Centenas de cobrados e motoristas do transporte público de Juiz de Fora se reuniram, na tarde desta terça-feira (26), em manifesto realizado em frente à sede do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) durante a primeira rodada de negociações entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro) e a Astransp com a intermediação do órgão. De acordo com estimativa da 30ª Companhia da Polícia Militar, mais de 300 pessoas participavam do movimento. Quarenta 40 policiais estiveram presentes no local e arredores para garantir a segurança e a fluidez do tráfego na Rua Santo Antônio. Durante a manifestação, a via teve pequenas retenções de veículos. Ao final do encontro, as partes não chegaram a um acordo.

Após mais de duas horas de conversa, o sindicato apresentou contraproposta reduzindo o índice de reajuste de 36% para 28%, no caso do salário de motoristas, e de 63% para 49%, o de cobradores. Nova reunião foi marcada para a próxima sexta-feira, também no Ministério do Trabalho. A Astransp propõe correção inflacionária de 6,8%, com base no INPC e sinaliza que, "todo aumento de custo no setor, irá impactar o valor da passagem.

O Sinttro quer aumento do salário dos atuais R$ 1.320 para R$ 1.695 para motoristas, e de R$ 660 para R$ 1.017, no caso dos cobradores. A redução do índice de reajuste, segundo o presidente da entidade, Adilson Antônio Rezende, é uma forma de mostrar que a categoria está aberta às negociações. "Não estamos pedindo nada que não possa ser feito. Absurdo é um cobrador receber menos que um salário mínimo." Ele afirma que esta é a última proposta que será feita à Astransp. "Caso não aceitem, faremos valer nosso direito de greve. Aguardaremos a resposta da empresa e, se for negativa, na segunda (4), convocaremos assembleia para deflagrar o movimento que terá início na próxima semana."

A partir desta quinta-feira, a entidade irá distribuir carta-ofício para a população informando sobre as condições de trabalho, as reivindicações e o andamento das negociações. "Faremos tudo dentro da lei. Não queremos prejudicar a população e, muito menos, ouvir que o aumento dos salários estão atrelados ao reajuste da tarifa. Se fosse assim, a passagem de ônibus hoje poderia custar R$ 1."

Segundo o presidente da Astransp, Fernando Goretti, as despesas com mão de obra representam 50% dos custos das planilhas da empresa. "Por isso, os valores de aumento apresentado pelo Sinttro até agora não podem ser aceitos. Reconhecemos que a categoria merece, mas é preciso fazer contas para saber aquilo que é possível." Ele afirmou que a contraproposta será estudada, mas até o momento, a empresa garante o reajuste equivalente à correção inflacionária. Questionado sobre a possibilidade de aumento da passagem de ônibus, Goretti afirmou que "todo aumento vai impactar o valor da tarifa."