Saldo de emprego é pior para março desde 2004


Por Tribuna

24/04/2015 às 06h00- Atualizada 24/04/2015 às 09h17

Após uma pequena reação da empregabilidade no mês de fevereiro, quando foram criados 319 postos de trabalho, Juiz de Fora voltou a perder vagas em março. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgados ontem, o saldo entre as admissões e demissões ficou negativo em 173 vagas, o pior resultado para um mês de março desde 2004, ano em que a série histórica para municípios começou a ser disponibilizada para consulta. Para os representantes dos setores produtivos, os números refletem a preocupação do empresariado com os rumos da crise.

Comércio, indústria e serviços tiveram, nesta ordem, os piores desempenhos, com saldos negativos em 191, 73 e dez vagas. Apenas a construção civil criou empregos com carteira assinada em março, um total de 124. “Ao analisar o desempenho do setor, vemos que, mesmo positivo, ainda é um número muito pequeno. Mas ficamos contentes por ser uma sinalização de que a situação pode melhorar”, diz o presidente do Centro Industrial e do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-JF), Leomar Delgado. Para ele, os empresários do setor industrial estão mais cautelosos. “Por isso, não estão contratando. Já as demissões fazem parte de uma gestão de controle de gastos. A verdade é que estamos passando por uma crise mais política e institucional do que econômica. Diante da incerteza sobre esta realidade, a solução encontrada reflete na criação de empregos.”

Análise semelhante é feita pelo superintendente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF), entidade que representa também o setor de serviços, Sergio Costa de Paula. “Esperamos que a situação melhore com o tempo, mas ninguém tem certeza do que irá acontecer. Com dólar, juros e inflação em alta, o cenário não é favorável aos investimentos. O empresário está mais cauteloso.” Sergio destaca que a realidade que já havia chegado ao varejo, agora começa a ser percebida, também, pelo setor de serviços. “Está todo mundo tendo que caminhar mais devagar.”

Minas e Brasil

Minas Gerais perdeu 3.469 postos de trabalho em março e foi o terceiro estado com o pior resultado do Caged, atrás apenas de Pernambuco (-11.862) e Paraíba (-5.691). Na contramão da cidade e do estado, o país fechou março com a criação de 19.282 vagas de emprego depois de três meses consecutivos com saldos negativos.