Captação de empresas pode ficar comprometida


Zuchi avalia que situação pode prejudicar atração de investimentos (Leonardo Costa)


Leomar Delgado cobra uma solução mais rápida (Leonardo Costa)


Campolina defende expansão de linhas de transmissão (Fernando Priamo)


Aloísio teme por problemas de abastecimento durante o Natal (Marcelo Ribeiro)
Embora reconheça a necessidade de demanda adicional de carga e de agilidade no atendimento a Juiz de Fora, a Cemig só pretende implementar uma subestação móvel na cidade em maio de 2016. A medida é paliativa e visa a minimizar os problemas enfrentados pelo empresariado, que amarga perdas em função da longa demora na ligação definitiva. Uma preocupação unânime no município é de que a espera até o próximo ano possa dificultar a atração de novos investimentos. Outro receio é comprometer a execução de grandes projetos, importantes para a cidade, que não podem ser afetados pela falta de estrutura operacional da Cemig. Na lista, estão o Centro de Distribuição da Fiat, o Shopping Jardim Norte, o Hospital Universitário (HU) da UFJF e a fábrica da M. Dias Branco, cujo início da produção deve acontecer um pouco depois.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, a situação preocupa, porque a disponibilidade de energia é fundamental no processo de atração de investimentos. O secretário tem identificado dificuldade no atendimento a novas demandas e avalia que este quadro pode comprometer a captação de projetos, principalmente os intensivos em energia. “O ideal seria acelerar o processo. Quanto antes resolver, mesmo de forma provisória, melhor. É importante equacionar essa questão.” Para Zuchi, embora a disponibilização de uma subestação móvel seja importante, a construção de um sistema definitivo, cuja conclusão das obras está previsto para novembro de 2016, é fundamental.
Solução provisória
Em matérias divulgadas no mês passado e no último domingo, a Tribuna mostrou a espera de nove meses a um ano para obter a ligação definitiva em novos empreendimentos. No início do mês, a Cemig anunciou investimento estimado de R$ 1 milhão na disponibilização de uma subestação móvel, como medida paliativa ao que a companhia definiu como forte expansão da demanda, até a construção de uma subestação física. A solução provisória consiste na oferta de equipamentos para fornecimento de energia em uma carreta que ficará alocada no mesmo espaço que a companhia vai construir a nova subestação. Há a conexão com o sistema da Cemig e a possibilidade de deslocamento para atendimentos prioritários, inclusive em outras cidades. Em coro, lideranças empresariais cobram providências imediatas.
Na avaliação do presidente do Centro Industrial de Juiz de Fora, Leomar Delgado, a necessidade de esperar, pelo menos, oito meses por providências é motivo de aflição no meio empresarial. “Precisamos que uma solução seja dada o mais rápido possível.” O quadro é considerado por ele preocupante, já que o insumo é fundamental para todo tipo de negócio. “Essa demora causa problemas de toda ordem. Energia é fundamental. Sem ela, não se começa nem a obra de um empreendimento.” “A queixa no meio é recorrente”, reforça o diretor do Clube de Engenharia de Juiz de Fora, o engenheiro eletricista José Alair Nogueira da Cunha. E não vem de hoje, diz, lembrando que o empresariado sofre com o descumprimento de prazos pela companhia há quase dois anos. “A situação tornou-se grave.” Segundo Alair, o problema visível na construção civil atinge todos os setores produtivos. Na sua opinião, a Cemig precisa reforçar as redes alimentadoras, para que a distribuição seja satisfatória, além de realizar investimentos em todo o sistema. Conforme o diretor, Juiz de Fora – a exemplo do restante do estado – sofre com um quadro de desestruturação dos sistema energético nacional.
Associação Comercial teme por apagão
Em função do aumento do consumo esperado no final do ano, especialmente por comércio e indústria, o presidente da Associação Comercial e Empresarial, Aloísio Vasconcelos, teme que a dificuldade em realizar novas ligações evolua para problemas de abastecimento às vésperas do Natal. “Em função dessa carência toda, temo que, no final do ano, tenhamos um apagão.” Na sua opinião, a situação é “muito grave”. “Sem energia, a nossa possibilidade de atrair novos negócios, principalmente no ramo de tecnologia, é zero. Totalmente inviável.” Outro problema enfrentado pelo empresariado, comenta Aloísio, é o custo do insumo. “Antes, a energia representava 0,2% do custo fixo. Hoje, em vários negócios, varia de 3% a 4%. Um absurdo.”
O presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, destaca o “trabalho efetivo” em Belo Horizonte para que o Governo invista em infraestrutura na Zona da Mata. Segundo Campolina, além de agilizar o acesso à energia, há a necessidade de investimentos em linhas de transmissão. Para ele, a situação a que os empresários estão expostos configura “uma verdadeira vergonha”. A intenção, disse, é mobilizar uma força-tarefa para reverter o quadro. “O que está acontecendo é um desrespeito ao empreendedor.”
Cemig não considera antecipar investimento
O posicionamento da Cemig é de que a implantação da subestação móvel só está prevista para maio de 2016 em função da necessidade de realização de projeto executivo, aquisição do material necessário para construção e resolução de questões ambientais. A possibilidade de antecipação do prazo, a princípio, não é considerada, “pois estes meses que antecedem o prazo estipulado são de suma importância para a preparação da entrada em funcionamento da subestação móvel”.
Enquanto inicia os preparativos para a disponibilização do equipamento, com capacidade de 25MVA (megavolt ampére), a Cemig ressalta que planeja a construção de uma nova subestação, com capacidade de 80MVA no município, prevista para entrar em operação no final de 2016. “Este empreendimento encontra-se em fase de elaboração do projeto básico e viabilização de recursos financeiros para sua execução.”
A companhia garantiu, ainda, investimento da ordem de R$ 3,7 milhões em ampliação, reforço e manutenção da rede que atende a cidade, aumento da qualidade e confiabilidade do fornecimento e ligação de novos consumidores rurais e urbanos. Todas as medidas, informa a Cemig, visam a atender “a forte expansão de novas demandas de energia em Juiz de Fora, bem acima das médias históricas verificadas, e da necessidade de atendimento aos consumidores em um prazo menor”.











