Natal dos R$ 5 e R$ 10


Há 45 anos nas ruas, Nilza tem produtos para tamanho do bolso do cliente (Marcelo Ribeiro)
Para fazer o Natal caber no bolso em um ano de crise econômica, os juiz-foranos dão preferência às lembrancinhas na hora de presentear. O movimento no comércio popular começou no início de dezembro e se intensificou desde a semana passada. Brinquedos, acessórios, canecas, agendas e outros itens mais em conta ganharam espaço na lista de compras dos consumidores. Para os comerciantes, oferecer produtos com preços mais baratos é a melhor alternativa para conseguir realizar vendas, mesmo que isso signifique diminuir o lucro.
Pesquisa realizada pelo Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF), no início do mês, mostrou que o tíquete-médio dos juiz-foranos para este Natal está acima de R$ 200. A expectativa da entidade é que o valor seja distribuído na compra de vários presentes. “Percebemos a intenção do consumidor em presentear a família e, também, o retorno do amigo oculto com mais força em comparação com o ano passado. Acredito que o valor apontado pela pesquisa será utilizado na compra de vários presentes”, explica o presidente Emerson Beloti.
O proprietário da loja VW Bijuterias e Acessórios, Wander Lúcio Pereira, garante que “este Natal será dos R$ 5 e dos R$ 10”. Segundo ele, o consumidor tem se importado com o preço e optado pelos produtos mais baratos. “Vemos que é um reflexo da crise, pois hoje a minha loja tem atendido outro público. Estamos recebendo até prefeituras das cidades vizinhas que compram lembrancinhas para as confraternizações de Natal.”
Na avaliação de Wander, este é o momento em que o empresário deve negociar com fornecedores para conseguir baixar os preços. “Quem oferecer mais barato vai conseguir vender, caso contrário, vai ser difícil sobreviver. É preciso reduzir a margem de lucro para se manter no mercado.” Ele diz que o movimento não tem sido tão bom quanto em anos anteriores, mas as vendas de Natal conseguirão salvar os meses mais fracos do início de 2016.
Na loja Mabi, os clientes têm gastado em média R$ 20 com cada presente, conforme observou a proprietária Luciana Domingos Faria. “Eles perguntam o preço, e quando é um pouco mais caro não levam.” Bola, bonecas e artigos para casa estão entre os produtos mais procurados. Ela diz que o movimento está acontecendo, mas acredita que será maior na véspera do Natal. “Ainda há o costume de o consumidor de deixar as compras para última hora.”
Com a preferência por produtos mais baratos, os camelôs também viram a demanda crescer nos últimos dias. Proprietária de uma banca na Rua Marechal Deodoro há 45 anos, Nilza Fernandes diz que não pode se queixar da movimentação. “Já tive Natais melhores, mas estou conseguindo vender bem. Mesmo com dinheiro mais curto, as pessoas querem presentear, e elas querem produtos que sejam bons e baratos.”










