Cliente da Caixa enfrenta retenção de envelope


Por FABÍOLA COSTA

22/10/2015 às 07h00- Atualizada 22/10/2015 às 11h40

Paralisação nas unidades bancárias completou 16 dias ontem (Fernando Priamo/21-10-15)

Paralisação nas unidades bancárias completou 16 dias ontem (Fernando Priamo/21-10-15)

Após 16 dias de paralisação, os juiz-foranos relatam transtornos decorrentes da greve dos bancários, que segue por tempo indeterminado. Uma queixa recorrente, comprovada in loco pela Tribuna, é a retenção de envelopes para depósito em dinheiro pela Caixa Econômica Federal. Nas ruas, as reclamações também referem-se a prazo para efetivação de depósitos e dificuldade para pagar boleto com valor superior ao limite aceito por lotéricas.

Após receber denúncias, a Tribuna foi à Agência Manchester da Caixa ontem e constatou que não havia envelopes para depósito em dinheiro disponíveis nos balcões. Os envelopes estavam no bolso da atendente, que fazia uma espécie de triagem, questionando o valor a ser depositado. Caso fosse inferior a R$ 1.500, a orientação era procurar uma lotérica. Em caso de insistência por depósito no caixa eletrônico em valor inferior ao citado por ela, havia o alerta de que não seria possível estipular prazo para a efetivação. Para o Procon, a prática é abusiva. A Caixa, por meio de sua assessoria, argumentou que a informação não procede e que “existem envelopes à disposição nos terminais de atendimento”.

Nas ruas, há mais queixas. A farmacêutica Katiúscia Pimenta reclamou da demora para validação de um depósito. O metalúrgico Evandro Ferrara relatou a saga para pagar faturas com valor superior ao aceito nas lotéricas. A dona de casa Denise Dornelas, acostumada a realizar depósitos na boca do caixa, reclamou de ter que usar os terminais de autoatendimento. Em contrapartida, o dentista Diego Azi de Oliveira e o músico Luiz Rachid não foram impactados pela greve, porque costumam resolver suas pendências nos caixas eletrônicos e no internet banking.

Para minimizar os impactos à população, o presidente do Sindicato dos Bancários, Robson Marques, destacou a preocupação em garantir a manutenção de 30% do efetivo por agência. “Estamos respeitando isso.” Em Juiz de Fora, a adesão aos bancos públicos tem sido constante desde o início do movimento. Já a das agências privadas tem variado, de acordo com a mobilização dos bancários. Ontem, por exemplo, clientes do Santander e do Bradesco tiveram o atendimento comprometido.

Já a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) informou que voltou a se reunir ontem com representações dos bancários para nova rodada de negociação. O encontro aconteceu às 14h, em São Paulo, mas seguiu sem avanços. Por nota, afirmou que “prossegue no esforço para que seja construído um acordo na mesa de negociação que atenda aos interesses de ambas as partes”. A Fenaban ainda afirmou que, mesmo com a greve, a compensação bancária continua funcionando normalmente.

 

30 queixas

Para o Procon, a greve é prejudicial aos direitos do consumidor. Segundo a assessora da superintendência, Mônica Gasparetti Drumond, o órgão está reunindo as reclamações recebidas, que serão encaminhadas ao Ministério Público. A estimativa é que, durante esses 16 dias, já foram recebidas mais de 30 queixas. O órgão também está de olho na manutenção de 30% do efetivo nas agências, que evoluiu para ação judicial na última greve.