JF perde 2 mil empregos
Juiz de Fora perdeu 689 postos de trabalho em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados ontem. De acordo com a série histórica do município, iniciada em 2003, este foi o pior resultado verificado em um mês de julho. No acumulado do ano, houve perda de 2.154 empregos, mais que o quádruplo do registrado nos primeiros sete meses de 2014, quando o saldo ficou negativo em 499 vagas.
Na análise por setores econômicos, serviços e construção civil foram os que apresentaram desempenhos mais fracos. O primeiro registrou o pior saldo mensal deste ano, com a perda de 473 vagas. Já o segundo ficou negativo em 119 oportunidades. O comércio, que vem amargando o fechamento de postos de trabalho desde janeiro, conseguiu frear um pouco as demissões e encerrar o mês com o saldo de 69 desligamentos. A indústria de transformação finalizou o mês com menos 49 empregos.
Os resultados apontados pelo Caged em Juiz de Fora refletem o cenário nacional de retração econômica, conforme explica o economista e professor da UFJF, Fernando Perobelli. “Estamos num processo em que esperamos um crescimento negativo do PIB e, claro, isso impacta os municípios.” Ele ressalta que a estrutura produtiva de cada cidade irá determinar se esse impacto será mais ou menos intenso. “Em momento de crise, o consumidor corta o que não é considerado de primeira necessidade, isto explica a queda dos resultados no setor de serviços, que é um dos principais empregadores da cidade.”
Com relação à construção civil, Perobelli avalia que o setor é considerado um “termômetro do aquecimento econômico”. “A atual conjuntura, com diminuição do crédito e aumento das taxas de juros, não é favorável”, diz. “Após passar por um crescimento nos últimos anos, não estamos tendo novos lançamentos, e o setor está diminuindo o ritmo. Desta forma, depois do término das obras, não há a realocação dos profissionais no mercado.”
O especialista destaca que, diante da crise, todos os setores são impactados gradualmente. “É uma resposta ao período de retração. Alguns segmentos do comércio e da indústria podem sentir menos, mas também sentem o reflexo do contexto econômico.”









