Viagens ficam mais caras para Rio e BH


Por FABÍOLA COSTA

21/08/2015 às 07h00- Atualizada 21/08/2015 às 13h51

Tarifa entre JF e Rio passa a custar R$ 11,20 (Arquivo TM)

Tarifa entre JF e Rio passa a custar R$ 11,20 (Arquivo tm)

O juiz-forano que costuma viajar regularmente para Rio de Janeiro ou Belo Horizonte deve preparar o bolso. A partir de hoje, o custo do deslocamento de carro para a cidade carioca passa de R$ 54 para R$ 67,20 (ida e volta), considerando o reajuste de 24,4% na tarifa praticada nos pedágios da BR-040, no trecho administrado pela Concer. Em relação à capital mineira, o impacto é ainda maior. Com o início da cobrança em outras duas praças, localizadas em Itabirito e Conselheiro Lafaiete, a partir deste domingo, o valor do deslocamento passa dos atuais R$ 9,20 para R$ 27,60, sempre considerando a ida e a volta. Até então, o juiz-forano que dirigia até a capital mineira só pagava um pedágio em Barbacena.

Os novos valores cobrados pela Concer nas três praças de pedágio localizadas em Simão Pereira, Petrópolis e Duque de Caxias (ver quadro) foram divulgados ontem pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A tarifa básica (veículos de passeio) subiu de R$ 9 para R$ 11,20. Segundo a ANTT, o movimento nos três pedágios da BR-040, localizados entre Juiz de Fora e Rio, chega a 86 mil veículos por dia. O órgão regulador informou que o reajuste e a revisão ordinária das tarifas das rodovias federais concedidas são realizados anualmente e estão previstos em lei. A modificação teria o objetivo de manter o equilíbrio econômico-financeiro e atender à Lei 13.103/2015.

A Concer orientou, por nota, que usuários do aplicativo da Concer dos sistemas IOS e Windowsphone devem atualizar a versão para terem acesso à nova tabela de tarifas. Por razões técnicas, usuários do sistema Android devem desinstalar a atual versão e baixar a nova.

Capital mineira

Já na área administrada pela Via 040 – 936,8 quilômetros entre Juiz de Fora e Brasília – não houve aumento da tarifa básica praticada: R$ 4,60. A mudança consiste no início da arrecadação nas duas novas praças, localizadas em Itabirito e Conselheiro Lafaiete. A operação assistida, em que os pedágios foram abertos para orientação aos motoristas, teve início em 13 de agosto. A cobrança efetiva começa domingo. No total, onze pedágios compõem o trecho sob gestão da concessionária, sendo três deles entre Juiz de Fora e Belo Horizonte, incluindo o localizado em Barbacena. Conforme a Via 040, a operação será iniciada após 16 meses de investimentos em obras de modernização e recuperação da rodovia e da oferta de uma série de serviços aos usuários.

novos valores 21

Usuários se queixam de ‘dano’ ao orçamento

Para o representante comercial Weslley Almeida, os aumentos representam “dano gigantesco ao orçamento”. Ele destaca o elevado custo do combustível e o fato de a distância entre Juiz de Fora e Belo Horizonte ser pequena – cerca de 280 quilômetros – para três pedágios. Weslley realiza viagens à trabalho para a capital e outras cidades do interior e também costuma ir ao Rio de Janeiro à passeio. “Não podemos deixar de trabalhar, com ou sem pedágio.” A expectativa dele é que o pagamento desembolsado pelos motoristas seja revertido em melhorias na rodovia.

O analista de sistemas Ricardo da Silva Werneck mora em Belo Horizonte, tem familiares em Juiz de Fora e os visita pelo menos duas vezes ao mês. Ele prefere fazer a viagem de carro. O analista defende a necessidade de promover melhorias na BR-040, mas, na sua opinião, o contribuinte já paga muito em impostos e taxas, que deveriam ser revertidos para a conservação das rodovias. Werneck não vê outra alternativa além de absorver a alta, já que o deslocamento é inevitável. “É custo em cima de custo. Fica pesado, com certeza.”

O roteirista de TV Carlos Augusto Mello tenta vir a Juiz de Fora, de avião, sempre que pode. Ultimamente, as visitas têm acontecido a cada dois meses, mas eram realizadas a cada duas ou três semanas. Carlos não tem carro, às vezes aluga um, outras vezes compartilha o transporte com amigos ou parentes. Não raro, utiliza também o ônibus, considerada a “pior” opção para ele. “Sei o quanto é absurdo o valor dessa nova tarifa e o impacto que ela representa nas despesas de quem faz esse trajeto. Obviamente, esse impacto se refletirá também, a curto prazo, no valor das passagens de ônibus.” Segundo o roteirista, “bate a nostalgia” de não ter mais voos diretos entre Juiz de Fora e Rio pelo Aeroporto Francisco Álvares de Assis, o Serrinha. O terminal está sem operações comerciais há mais de um ano.