Mercado dificulta aluguel para estudante


Por LILIANE TUROLLA

20/08/2014 às 06h00

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Pelas ruas de Juiz de Fora, principalmente no Centro, é fácil perceber a chegada de novos universitários. Além dos calouros recolhendo o dinheiro do trote, rostos jovens fitam atenciosamente as ofertas de imóveis nas vitrines das imobiliárias. Segundo os estudantes recém-chegados, encontrar o local ideal para morar não é o problema. O principal entrave para se estabelecer na cidade é, na verdade, a exigência de garantias feita pelos locadores. De acordo com as imobiliárias, a demanda por aluguel nesse período do ano aumenta em até 80%. Somente na UFJF, 1.900 novos alunos iniciam agora sua jornada. A média histórica da universidade aponta que cerca de 60% deles vêm de fora de Juiz de Fora.

Guilherme Menecucci, 21 anos, e Bruno de Nigro, 18 anos, vão de vitrine em vitrine olhando os cartões de aluguel das imobiliárias. Com os celulares, fotografam os imóveis mais próximos à faculdade e, claro, os que cabem no bolso. Os jovens de Rio Pomba acabam de chegar em Juiz de Fora e, no primeiro dia de buscas pela casa nova, já enfrentam dificuldades. "Estamos tendo problemas, pois não temos fiador na cidade, não conhecemos ninguém aqui. A opção que nos dão é o caução, mas somos estudantes, está sempre faltando dinheiro", argumenta Guilherme. Os amigos procuram um apartamento na região central para "não ter que pagar ônibus." Além das burocracias, outras barreiras são enfrentadas: "Fomos olhar um apartamento no Bairro Santo Antônio achando que se tratava na Rua Santo Antônio. Não conhecemos a cidade, a falta de orientação nas imobiliárias dificulta muito."

Os "nãos" chegaram também para a estudante de Petrópolis Thaís Riguete, 19 anos, que irá morar com mais um amigo enquanto cursa nutrição na UFJF. Acompanhada pela mãe, Andrea Riguete, ela demonstra cansaço e insatisfação na peregrinação por imóveis. "Eles não alugam para estudantes, alegam que terá bagunça. Existe muita resistência, mesmo quando oferecemos as garantias pedidas para a locação." Na porta de uma imobiliária na Rua Santa Rita, após ter o terceiro aluguel negado no dia, a mãe desabafa: "Estamos dispostos a fazer o caução, também propus alteração no contrato para que no caso de desordem haja multa, mas nem assim a proprietária liberou."

 

Restrições

Nas imobiliárias, o movimento é intenso nessa época do ano, conta a corretora Cida Carracci, da Universal Imóveis. "Os estudantes procuram os bairros mais centrais ou Cidade Alta, sempre próximos às faculdades. Geralmente pedem apartamentos de um ou de dois quartos." Nestas condições, o preço médio do aluguel varia de R$ 550 a R$ 1.000. Apesar da procura em alta, restringir os alugueis pode ser um problema, conforme Washington Frade Pires, proprietário da Invest. "Em um mercado com muita oferta de imóveis, como no caso de Juiz de Fora, não se pode dificultar os contratos por conta disso."

Sobre os obstáculos para as repúblicas, Frade afirma que o mercado já viveu períodos mais restritivos para essas moradias. "Os locadores estão se conscientizando que a cidade tem um caráter estudantil. A maioria dos prédios tem se adequado a esse tipo de perfil." No entanto, ainda segundo ele, as garantias exigidas são, sim, um empecilho aos universitários que desejam alugar um imóvel. "Elas são as mesmas feitas para qualquer locatário. Entretanto, na maioria das vezes, os estudantes não têm renda própria ou compatível com o compromisso."

O presidente da Associação Juiz-forana Administradoras de Imóveis (Ajadi), Antônio Dias, afirma que muitas imobiliárias estão abertas ao diálogo, desde que a negociação seja segura para ambas as partes. "O interesse é alugar, mas como somos responsáveis pelo imóvel perante ao proprietário, temos que garantir que não haverá prejuízos."

 

 

Ter dois fiadores é requisito básico

O requisito necessário para alugar um imóvel é basicamente o mesmo em todas as imobiliárias: apresentar dois fiadores, pelo menos um com imóvel na cidade e outro com renda comprovada superior ao valor do aluguel. O depósito caução é uma alternativa aos fiadores – o locatário deposita o valor referente a três aluguéis para o locador em uma conta-conjunta. Segundo o presidente da Ajadi, em função da morosidade da Justiça em casos de inadimplência, opta-se por não aceitar esse tipo de condicional para proponentes de cidades muito distantes. A opção de garantia menos solicitada, conforme as imobiliárias, é o seguro-fiança, que se estabelece por meio de uma apólice: o inquilino paga mensalmente um valor, próximo ao aluguel mais 20%, para a seguradora. Em caso de dívidas, o proprietário do imóvel é o segurado e único beneficiário.

Outro ponto polêmico nos contratos é a questão da sublocação. Segundo a Ajadi, a lei do inquilinato coíbe esse tipo de prática, que muitas vezes ocorre nas repúblicas. O procedimento, nesses casos, é acionar o responsável pelo aluguel para possíveis acertos com o proprietário ou alterações contratuais na imobiliária. Os corretores afirmam que casos de reclamações contra república são pontuais e, na maioria da vezes, resolvidos amigavelmente.

Habitação da UFJF

Uma outra opção para os estudantes que ingressaram na UFJF seria a moradia estudantil da universidade. Reivindicação antiga dos alunos da graduação, o prédio está pronto, mas aguarda, ainda, que seja elaborado um regimento para determinar as regras de ocupação e os critérios para a escolha dos candidatos. A UFJF alega que o atraso para a formação da comissão se deu em função da greve de técnico-administrativos em educação. A primeira reunião do grupo aconteceu último dia 5. Segundo a pró-reitora Maria Elizabete de Oliveira, que preside o comitê, os trabalhos estão avançados, mas não foi estipulado prazo para a finalização das propostas.