JF pode receber multinacional de energia


Altamir Rôso diz que levará pleitos para governardor Fernando Pimentel
Juiz de Fora pode receber investimento superior a R$ 100 milhões com a chegada de uma multinacional que atua no segmento de “alta tecnologia”. Esta foi a negociação divulgada pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, que esteve na cidade ontem participando do Encontro Regional para o Desenvolvimento da Zona da Mata. O evento, realizado pela Fiemg Regional, reuniu inúmeras lideranças empresariais e políticas no debate acerca da necessidade de se criar uma nova ambiência econômica regional. Informações de bastidores dão conta de que a empresa atua no setor de energia e poderia criar, pelo menos, 200 empregos.
“Existe grande possibilidade de esta empresa vir para Juiz de Fora”, disse o secretário, preservando o nome da multinacional. “Estamos trabalhando bastante, e as coisas estão caminhando muito bem.” Rôso destacou o potencial da cidade, mas reconheceu que há gargalos em relação a infraestrutura e distritos industrias, como os apresentados pela Fiemg durante o evento. Conforme o secretário, embora os assuntos não sejam relacionados diretamente à sua pasta, os pleitos serão encaminhados ao governador Fernando Pimentel (PT) e às secretarias específicas.
Sobre a cobrança de condição tributária diferenciada para a Zona da Mata, que garanta competitividade às empresas mineiras ante às fluminenses, o secretário afirmou que o regime tributário é um gargalo para Juiz de Fora a exemplo do restante do estado. Segundo ele, as condições oferecidas por Rio, Espírito Santo e Goiás criam vantagens para estes estados. A partir do documento, diz, a meta é oferecer a Minas um regime igualmente competitivo. Rôso comentou que a Secretaria de Fazenda está realizando amplo estudo sobre o caso. Rôso recebeu documento com pedidos para construção do minianel viário sul (ligação das rodovias BR-040 e BR-267) e retomada da pavimentação da estrada de acesso ao Aeroporto Itamar Franco.
Paschoal Carlos Magno
Já a diretora de Fomento à Indústria Criativa da Codemig, Fernanda Medeiros Azevedo Machado, recebeu o pedido formal de criação de um novo distrito industrial e a liberação de recursos para a conclusão das obras do Teatro Paschoal Carlos Magno. Sobre o teatro, a diretora comentou que a parceria entre Prefeitura e órgão, firmada em 2014 e que garantia quase R$ 6 milhões para finalizar a obra, será cumprida. A meta é entregar o empreendimento em 2016, ainda na gestão do prefeito Bruno Siqueira (PMDB). O projeto foi iniciado na administração Mello Reis (1977-1983). Em agenda com a Prefeitura na próxima semana, a Codemig pretende refazer o plano de trabalho e definir o cronograma de desembolso. Dos R$ 6 bilhões, afirmou Fernanda, cerca de R$ 300 mil foram destinados aos projetos arquitetônicos complementares. O restante deve ser utilizado na obra propriamente dita.
Prejuízo com Expominas
Apesar de não figurar no pacote de cobranças, a situação do Expominas também foi abordada pela diretora. Fernanda afirmou que a ocupação, em Juiz de Fora, está muito aquém da capacidade de atendimento do espaço. No ano passado, por exemplo, foram dez eventos cotados e apenas sete realizados. Para este ano, a previsão é de 27. Conforme a diretora, a Codemig investe R$ 1,2 milhão por ano na manutenção de equipamentos e funcionários, enquanto o retorno, pelas suas contas, não passa de R$ 450 mil. “Temos prejuízo.” Em função disso, comenta, a meta é que o Expominas não seja apenas um equipamento de locação, mas um agente de fomento do turismo de negócios. “O objetivo é praticar preços significativamente baixos”, disse, com o objetivo de a comunidade se “apropriar” do equipamento. A meta é que a Codemig se torne “parceira” de iniciativas que fomentem a produção local ou captem novos eventos, estimulando o turismo de negócios. “Vamos assumir o risco junto com o empresário.”
Fiemg cobra política de desenvolvimento diferenciada
O anfiteatro da Fiemg Regional Zona da Mata foi pequeno para tantas lideranças políticas e empresariais, incluindo deputados estaduais e federais eleitos pela região. O presidente da Fiemg Regional, Francisco Campolina, apresentou os principais itens do estudo “Perspectivas de Desenvolvimento para a Zona da Mata Mineira”, enumerou indicadores que comprovam a perda de competitividade de 142 municípios do entorno e fez uma cobrança dura e direta por uma política de desenvolvimento diferenciada para a região. Campolina destacou a necessidade de um posicionamento político na busca de ganho de competitividade e na criação de uma nova ambiência econômica. “Precisamos de investimento em logística, condições tributárias diferenciadas e ambiente institucional que nos permita produzir em igualdade de condições com o Rio de Janeiro.” Foi ovacionado pela plateia.
Segundo Campolina, a Zona da Mata precisa de R$ 250 milhões para realizar obras viárias importantes para escoamento da produção e logística, como a estrada de acesso ao Aeroporto Itamar Franco. “Essa estrada é primordial e deveria ser questão de honra.” O presidente regional reforçou a necessidade de reforma tributária eficaz, sob o risco de que “nenhuma empresa venha para cá”, além de investimentos em educação, saúde e segurança, considerados fundamentais para que o projeto dê certo. “Precisamos trabalhar juntos para a Zona da Mata. Se dermos as mãos, não tem jeito de dar errado”, convidou.
O presidente do Sistema Fiemg, Olavo Machado Júnior, considerou o evento “revolucionário”. Ele destacou a importância da região para a indústria mineira, a urgência de uma política industrial e a necessidade de se fazer uma reflexão sobre os pleitos apresentados. O prefeito Bruno Siqueira parabenizou a Fiemg Regional pelo trabalho, afirmando que o estudo vai nortear ações nos próximos anos. O prefeito comemorou o avanço na concretização do Teatro Paschoal Carlos Magno e cobrou o apoio dos presentes para os projetos de revitalização do Centro, de continuidade das obras do Hospital Regional e, mais uma vez, do acesso ao Itamar Franco.










