
Motivada pelo aquecimento da oferta, boa parte dos hortifrutigranjeiros apresentou queda dos preços. Segundo avaliação da Associação dos Lojistas da Ceasa de Juiz de Fora, no atacado, o tomate teve queda de até 90% em comparação com o mês de janeiro, seguido de berinjela (83%), repolho (72%), couve-flor (55%) e pepino (50%). "O clima favorável foi o principal fator que propiciou o aumento do volume destas culturas. Com maior oferta, os preços tendem a cair", explica o presidente da entidade, Luis Carlos Santa Rosa.
Os valores mais baixos no atacado têm sido repassados aos consumidores, como informa o presidente dos concessionários do Mercado Municipal, Carlyle Lopes Barros. "No último mês, os produtos mais procurados tiveram corte de preços. O quilo do tomate caiu de R$ 3,99 para R$ 2,59, do pimentão, de R$ 4,99 para R$ 1,59, da berinjela, de R$ 3,59 para R$ 1,99, e do pepino, de R$ 2,59 para R$ 1,99." Segundo ele, o quilo da batata teve o preço mantido em R$ 1,59 também por conta do aumento da oferta.
A cesta básica apurada esta semana em Juiz de Fora já apresenta impacto da queda dos preços. O valor médio baixou de de R$ 213,86 para R$ 202,72 (-5,21%) em relação ao preço registrado na quinta-feira da semana passada. De acordo com a pesquisa divulgada ontem pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), os produtos que mais contribuíram foram o tomate (-29,53%), a batata inglesa (-28,34%) e a banana prata (-13,47%).
A redução dos valores é sinônimo de economia para a população. "Quem iria levar apenas tomate, acaba comprando também uma fruta, pois o preço está compensando. Há aqueles que guardam o dinheiro para ajudar em outros tipos de despesa", destaca a presidente da Associação das Donas de Casas e Consumidores, Léa Ganimi Costa. Ela dá dicas de como aproveitar bem o período de produtos mais baratos. "Mesmo com valores mais baixos, sempre orientamos os consumidores a pesquisarem em mais de um estabelecimento. Também vale a pena juntar famílias de amigos e comprar em atacado."
Queixas
Para os produtores, a queda dos preços é preocupante. "No momento, o custo da produção está cerca de 30% maior que o lucro. Alguns produtores acreditam que é mais vantajoso parar de produzir. Se isso ocorrer, num prazo entre 90 e 120 dias pode ser que faltem produtos no mercado", afirma o presidente da Associação de Hortifrutigranjeiros da Ceasa/JF, Élcio Miguel Ferreira. Há 30 anos no ramo, ele diz que nunca presenciou uma situação como esta. "A oscilação é sempre esperada, mas já faz tempo que estamos nas mesmas condições, e o custo-benefício não tem valido a pena." Para ele, o tomate representa o principal problema, pois as demais culturas que sofreram redução dos preços têm investimentos mais baixos.
O chefe do departamento técnico do Ceasa/MG, Wilson Guide, destaca que o desabastecimento não será um problema enfrentado pelos consumidores. "Esta situação já era esperada, pois estamos falando de culturas sazonais. Com a oferta aquecida, o preço cai, assim como o contrário também acontece. Minas Gerais é um dos maiores produtores nacionais, não há a possibilidade do produtos desaparecerem do mercado."

