Em ‘ano ruim’, indústria do vestuário dribla crise


Por Tribuna

19/12/2014 às 07h00- Atualizada 26/12/2014 às 05h00

Gabriel Rebouças, da Keeper, diz que  em 2014 não deve ter crescimento real

Gabriel Rebouças, da Keeper, diz que em 2014 não deve ter crescimento real

Apesar de um ano difícil, em que o consumidor esteve mais endividado e a competição com os produtos chineses se manteve como grande entrave para os negócios, o setor de vestuário em Juiz de Fora deve encerrar 2014 sem contabilizar perdas de emprego. De janeiro a setembro deste ano, foram criados 66 novos postos de trabalho no ramo, totalizando 5.378 empregos na cidade. A expectativa é que os números se mantenham positivos até o final de dezembro, já que o último trimestre é considerado o melhor para o setor.

A situação vai na contramão da realidade do estado, em que o desaquecimento vem sendo sentido desde o início do segundo semestre e acarretou no fechamento de 500 empresas do ramo e na redução de 30 mil postos de trabalho, segundo dados do Sindicato das Indústrias no Estado de Minas Gerais (Sindivest MG). A expectativa da entidade é que o setor encerre o ano com queda de até 10% no faturamento com relação a 2013.

Um dos fatores que pode ter contribuído para a diferença entre o cenário juiz-forano e o estadual foi o impacto da realização da Copa do Mundo. Enquanto algumas indústrias locais foram favorecidas pela demanda criada pelo Mundial, boa parte do setor em Minas teve prejuízos. “Registramos perdas de até 40% por causa da Copa”, afirmou o presidente do sindicato, Michel Aburachid. “O perfil dos produtos confeccionados pelas empresas de Juiz de Fora teve melhor aceitação, o que contribuiu para que esse fator sazonal elevasse as vendas”, analisa o economista da Fiemg Regional Zona da Mata, Matheus Santana.

Segundo Aburachid, outros fatores também impactaram negativamente o desempenho do setor, como as eleições, o maior endividamento dos consumidores e a concorrência com os produtos importados. “O governo aumentou o controle da entrada de produtos chineses no país, mas como o custo de produção lá é menor, o preço final é mais barato”, avalia. Para ele, nem mesmo o Natal e o pagamento do 13º salário poderão recuperar as perdas de 2014.

Os mesmos problemas foram enfrentados pelas indústrias juiz-foranas, conforme Santana. “Por isso, o saldo positivo, mesmo que sem grande expressão, é considerado uma vitória.”

Na Keeper, o sócio Leonardo Gabriel Rebouças diz que “foi possível se manter”, mas a fábrica não registrou crescimento real. “Foi um ano muito difícil. A economia está em recessão e a concorrência com os importados tem prejudicado muito o nosso setor. Conseguimos, com muito trabalho, empatar com 2013.”

O empresário Walmir Pifano, proprietário da Malhas Dablio, concorda que 2014 foi muito difícil para todo o setor industrial e que se o segmento de vestuário em Juiz de Fora conseguiu fechar no azul foi a “duras penas”. “O ano foi fraquíssimo. A Copa do Mundo contribuiu para aumentar as minhas vendas, mas nada comparado com as outras edições do evento. Esse ano, o consumidor comprou menos e a concorrência foi maior.”

As expectativas dos empresários para 2015 não são as mais otimistas. “Não vejo futuro no atual modelo econômico do país. Acredito que será um ano igualmente difícil”, afirma Rebouças. “Nosso setor precisa de algumas políticas específicas que dificilmente serão atendidas no próximo ano”, diz Pifano.

O economista Matheus Santana alerta que 2015 será um ano cheio de desafios. “Como em toda indústria, o setor de vestuário terá baixo grau de consumo e investimentos. Além de enfrentar uma economia que deve apresentar poucos sinais de crescimento, será preciso se preparar para encarar a competitividade, sobretudo, com os importados.”