Importados até 15% mais caros


Na Garrafaria, aumento nos preços dos vinhos já levaram a queda nas vendas
Os produtos importados, preferidos pelo consumidor neste final de ano, chegaram às prateleiras com alta média de 10% a 15%. Este é o cálculo da Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba) considerando a valorização do dólar até início de outubro, época de definição dos estoques. Em relação à escalada dos últimos meses – apesar da queda de 1,23% registrada ontem, a moeda norte-americana apresenta alta de 14,6% no ano – , o impacto no bolso pode variar de 20% a 25% no início de 2015, se não houver reversão do quadro.
Conforme a presidente da Abba, Raquel Salgado, o impacto percebido agora retrata a variação cambial até início de outubro. A partir deste período, mesmo que algum importador queira aumentar o produto, não consegue, porque a mercadoria já está identificada com determinado valor. “O preço está na rua”, explica. Caso exista necessidade de reposição de algum item, a tendência é que as margens de lucro sejam sacrificadas para manutenção das cifras nas gôndolas, diz. O reflexo de a moeda ter chegado a R$ 2,7355 na terça-feira, o maior valor desde 2005, só será sentido pelo consumidor a partir do ano que vem, especialmente no final de janeiro. “Será uma pancada.” Conforme Raquel, a procura, até agora, é considerada razoável. “Não é o mesmo sentimento do ano passado, houve uma queda entre 5% e 7%.”
O gerente da Garrafaria, Rogério Alves da Silva, comenta que os consumidores têm percebido a alta de preços, que deve se refletir em queda estimada em 5% nas vendas na comparação com o ano passado. Segundo ele, as elevações da moeda americana nas últimas semanas não foram repassadas aos produtos, já que o estoque estava garantido para o Natal. Em alguns itens, explica, o aumento médio girou entre 5% e 10%. Conforme o gerente, as promoções têm contribuído para manter uma boa média de vendas. Na Garrafaria, os vinhos tintos sul-americanos concentram a maior procura.
A proprietária da Alaska Frios e Laticínios, Sueli Rossi, identifica que houve um pequeno impacto nas vendas, mas, segundo ela, a procura tem melhorado a cada dia. A decisão foi manter o preço do bacalhau inalterado ao consumidor, embora o repasse de outros itens, como o da castanha portuguesa, cujo quilo subiu 48,8% de R$ 29,90 para R$ 44,50, tenha sido inevitável. Segundo Sueli, como o Natal é uma data única para os consumidores, alguns até preferem reduzir a quantidade, mas não deixam de levar o importado preferido para casa. “No que eu consegui, mantive o mesmo preço do ano passado, porque sei que a clientela iria reclamar.” A torcida da empresária é pela desvalorização da moeda, para que nova majoração não seja necessária no início de 2015.
Na Essenciale, a caixa administrativa Mayra Bernardes Alves comenta que houve reajuste médio de 10% a 15% no preço de alguns produtos. Para ela, a alta não deve impactar a procura. A expectativa, aliás, é por aquecimento a partir de sexta-feira. Conforme Mayra, a definição dos preços dos produtos para o Natal aconteceu antes das últimas valorizações do dólar e não foi impactada por elas. A decisão de não promover novos ajustes visa a não comprometer as compras natalinas.
A Associação Mineira de Supermercados (Amis), por meio de sua assessoria, informou que, apesar da elevação do dólar nos últimos dias, os efeitos não foram sentidos no setor supermercadista tanto nos preços quanto na demanda. “Os produtos que sofrem influência da moeda americana nos preços são uma parte pequena do mix. As compras de produtos importados para o Natal foram feitas com muita antecedência (agosto/setembro, como de praxe), antes, portanto, da alta do câmbio”, divulgou a entidade por nota.











