Comércio recorre a promoções para vender


Mônica Magela e Daniela Faria aproveitaram descontos para comprar sapatos novos (Fernando Priamo/16-02-16)
Se faltam clientes, sobram promoções estampadas nas vitrines das lojas do comércio de rua de Juiz de Fora. Os descontos, que em alguns estabelecimentos chegam a 70%, estão por toda parte: nas lojas de móveis, decoração, roupas, sapatos e produtos infantis. A mobilização tem motivo: levantamento divulgado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que as vendas no varejo recuaram 4,3% no ano passado em todo o país. O percentual pode até parecer pequeno, mas significa a maior queda dos últimos 15 anos.
Para conquistar o cliente, a estratégia usada pela maioria, além de reduzir os preços, é caprichar nas vitrines. Os termos variam: “megaliquidação”, “bazar”, “off” e “desconto anual”. Quanto maior e mais colorido o letreiro, melhor. Esta, porém, não é a única medida adotada. Há até quem avise o consumidor dos saldões por mensagem de celular. Apesar da política própria de cada marca, em comum entre as lojas consultadas pela Tribuna está a constatação de que as promoções começaram logo após o Natal e não têm data para acabar.
Na Priscila Mendes, a gerente Michelle Felix afirma que o Natal não atingiu as expectativas, mas as promoções têm compensado as vendas. Segundo ela, os saldões, comuns entre janeiro e fevereiro, começaram mais cedo e devem terminar mais tarde. “A procura chegou a dobrar”, comemora. As amigas Mônica Magela e Daniela Faria não resistiram aos preços e levaram sapatos novos para casa. Mônica comenta que os descontos de até 50% são atrativos e valem o desembolso. Daniela também pretende aproveitar outras promoções, sempre optando pelas marcas que ela prefere, desde que o preço seja, realmente, menor.
Na Armadda Girl, a gerente Lidiane Fernandes comenta que os descontos, hoje, giram em torno de 50%. Em março, no entanto, ela pretende reduzir ainda mais os preços, chegando a cortes de até 70%. Segundo ela, a redução tem surtido efeito em vendas, mas não nos percentuais esperados. Na avaliação da gerente, além do dinheiro curto, os consumidores estão controlando os gastos, daí a necessidade de adotar uma política de descontos ainda mais agressiva para liberar os estoques e renovar a coleção, acompanhando a mudança de estação.
Na City Shoes, os descontos de até 60% têm cumprido a missão de atrair clientes. A vendedora Ariane Amaral Ribeiro endossa o coro e avalia que, apesar de não atingir as expectativas, as vendas têm acontecido. Na loja, a promoção também não tem prazo para acabar. Ao contrário – e a exemplo de outras lojas da cidade – deve se intensificar.
Setor reflete queda do consumo das famílias
A queda de 4,3% no volume de vendas do comércio varejista em 2015 foi a maior desde o início da série histórica, em 2001, conforme a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. Essa também foi a primeira vez que um ano fechou em queda, desde 2003. “O comércio varejista reflete o consumo das famílias. Todos os fatores que inibem o consumo têm um impacto direto no volume de vendas. É uma combinação de enfraquecimento do mercado de trabalho, com a redução da renda real e da confiança do consumidor, pressão inflacionária – que vem evoluindo principalmente no grupamento de alimentos e combustíveis -, e a elevação da taxa de juros, que inibe a compra de bens duráveis”, avalia a pesquisadora do IBGE, Isabella Nunes.
Os principais impactos para a queda vieram dos segmentos de móveis e eletrodomésticos (-14%), supermercados, alimentos, bebidas e fumo (-2,5%), tecidos, vestuários e calçados (-8,7%) e combustíveis e lubrificantes (-6,2%). Entre os oito segmentos pesquisados, apenas um teve crescimento no volume de vendas: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (3%).










