Mercado local aposta em 2015


Por FABÍOLA COSTA

17/08/2014 às 06h00

Solar Street Mall, com 44 lojas e 42 salas comerciais, está sendo erguido na Olegário

Solar Street Mall, com 44 lojas e 42 salas comerciais, está sendo erguido na Olegário

Mesmo diante de um primeiro semestre difícil, marcado pela instabilidade econômica, o olhar – e as ações – do empresariado juiz-forano fazem de 2015 um ano de boas perspectivas para o mercado imobiliário local. Quase sempre longe das ruas centrais da cidade, está prevista, a partir de março, a consolidação de investimentos que ultrapassam a marca de R$ 150 milhões e foram assegurados, mantidos e amadurecidos em um cenário macroeconômico adverso.

No dia 28 deste mês, o Independência Shopping faz o lançamento oficial de sua expansão, que acontece seis anos após a inauguração do empreendimento, em abril de 2008. O valor que será investido na ampliação de quase 50% de sua área bruta locável (ABL) é mantido sob sigilo. Com a expansão, o shopping passa a oferecer ao mercado consumidor mais de 70 novas lojas. Entre as operações já confirmadas estão Riachuelo e Tok&Stok. A expectativa é que o início das obras aconteça em janeiro, com término previsto para abril de 2016. Segundo o superintendente Sérgio Koffes, o shopping está localizado em uma região de crescimento expressivo, que concentra lançamentos imobiliários importantes. "A expansão acompanha esse vetor de desenvolvimento." O Independência Shopping recebe cerca de 420 mil pessoas e vende, em média, R$ 20 milhões por mês.

Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2015, especialmente a partir de outubro, o Shopping Jardim Norte já conta com mais de 65% de sua ABL comercializada. A expectativa é que o empreendimento atraia 400 mil pessoas por mês, uma média de 15 mil a 20 mil consumidores por dia. O projeto, com investimento de R$ 120 milhões, prevê mais de 170 lojas, entre âncoras, megalojas e lojas-satélites, como Riachuelo, Renner, C&A, Lojas Americanas, Havan, Bretas, Ri Happy, Magic Games, Lojas Avenida e Instituto Beleza Natural. A aposta no negócio baseou-se em estudo encomendado ao Ibope. A pesquisa identificou público em potencial de 481 mil pessoas e ausência de comércio estruturado na região onde o shopping está sendo construído, ao lado do Terminal Rodoviário Miguel Mansur, na Zona Norte. As obras foram iniciadas em abril. A terraplanagem está concluída, e mais de 80% da fundação, executada, segundo informou o shopping, por meio de sua assessoria.

O Shopping Alameda, na Zona Sul de Juiz de Fora, também trabalha em um projeto de expansão, em fase de desenvolvimento. "O objetivo da expansão é ampliar o empreendimento, bem como induzir o crescimento do entorno, fortalecendo o papel que o Alameda sempre desenvolveu na região. Isso se dará quando finalizarmos o projeto, trazendo grandes marcas para atender nosso público e manter nosso posicionamento", explica o superintendente Ted Marques, sem divulgar detalhes, prazos, nem cifras. Conforme Marques, apesar de o panorama econômico brasileiro indicar uma posição de retração, a indústria de shopping centers encontra-se em crescimento, e o Alameda acompanha esta tendência.

Para o presidente da Associação Juiz-forana de Administradores de Imóveis (Ajad), Antônio Dias, os investimentos são bem-vindos e contribuem para a expansão do setor imobiliário na cidade. Segundo o presidente, apesar do momento de estabilidade momentânea na construção civil, em função do período eleitoral, a expectativa é que o ritmo seja retomado no próximo ano, logo após a definição do pleito. "É normal que o investidor se retraia um pouco, não arrisque antes de saber o que vai acontecer", avalia ele. Conforme Antônio Dias, a oferta costuma ser cíclica, com períodos de forte expansão, seguidos por estabilidade e retomada do crescimento de forma acentuada. Desta vez, não será diferente, aposta.

 

 

JF ganha seu primeiro shopping de rua

Juiz de Fora prepara-se também para sediar o seu primeiro shopping de rua, fruto de investimento estimado em R$ 30 milhões. Com conceito inovador, o Solar Street Mall oferece 44 lojas e 42 salas comerciais, além de centro de serviços em uma área de 20 mil metros quadrados, localizada na Avenida Olegário Maciel entre as ruas Padre Café, Professor Aquino e Engenheiro Maurício Giron. As obras estão avançadas, e o início das operações está previsto para março do próximo ano.

De olho no adensamento populacional na região, o empreendimento tem a proposta de reunir comércio e serviços que atendam às necessidades primeiras da população do entorno, estimada em seis mil pessoas. Para atingir este objetivo, a locação será dirigida, explica o diretor-presidente do Grupo Solar, Juracy Neves. Entre as operações já confirmadas estão um supermercado da Rede Opa e uma loja da Requinte Frios. Além de apostar na oferta de comodidade à clientela, evitando deslocamentos para compras, o empreendimento visa contribuir para a mobilidade urbana – grande desafio do mundo moderno e um problema na cidade, a exemplo de todo o país.

 

Serviço

No Solar Street Mall, os estabelecimentos são voltados para a rua. Além das lojas e salas comerciais com dimensões variadas, o centro de serviços é um diferencial do empreendimento. O objetivo, comenta o diretor-presidente, é reunir prestadores de serviço especializados em reparos de eletroeletrônicos, eletrodomésticos, roupas e calçados, além de oferecer serviços de lavanderia, entre outros. "Há algum tempo tenho notado a dificuldade para realizar consertos elementares na cidade", comenta Juracy, destacando a dificuldade de chegar aos prestadores, a maioria concentrada no Centro. O estacionamento rotativo com 200 vagas em dois pavimentos também favorece as compras rápidas, destaca. "Não é um conceito de shopping clássico", define o empresário, que já planeja investimento semelhante no São Pedro, na Cidade Alta.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, os movimentos expressivos identificados nos setores de comércio e serviços, além de empreendimentos logísticos, são importantes para a economia juiz-forana na medida em que estimulam a competitividade, melhoram a infraestrutura local, aumentam a oferta de áreas e ajustam os preços. Segundo Zuchi, a despeito da dificuldade econômica verificada principalmente nos últimos meses, houve "melhora significativa" nas consultas feitas à cidade por empresas interessadas no município. Uma parte, inclusive, vem dos setores de comércio e serviços, atraídos também pela maior oferta de área para efetivação de negócios. "Vejo com bons olhos e muito otimismo essa mudança na infraestrutura local."

 

No caminho da descentralização

"No meu ponto de vista, a crise é o momento para fazer os melhores investimentos. Quem tem medo, sai do mercado. As oportunidades são para aqueles que estão acostumados a enfrentá-la", avalia o corretor Ronaldo Tomáz. Ele contabiliza quatro grandes lançamentos para a cidade nos próximos dois meses, sendo um loteamento e três residenciais, todos em bairros, seguindo a tendência de descentralização de negócios verificada em Juiz de Fora. De acordo com Ronaldo Tomáz, a maior oferta de lançamentos, hoje, está nos bairros periféricos, até porque a procura da clientela também segue nesta direção. "Há um ano já sentia que o mercado iria em busca de oportunidades nas redondezas, por conta da especulação verificada na área central." Ele cita como exemplo o empreendimento do Grupo Solar no Paineiras. "Os bairros são mais atrativos, e o custo de instalação é menor ante o Centro."

Para o diretor da Acervo Imóveis, Anderson Soares, o conservadorismo dá lugar à modernidade em Juiz de Fora, que segue o caminho da descentralização já trilhado por capitais e cidades do mesmo porte. Segundo ele, o movimento precursor iniciado por empreendimentos residenciais na Cidade Alta na década de 1990 já é acompanhado por comércio e prestação de serviços. Como exemplo, Anderson cita a construção do Alphaville às margens da BR-040, a potencialidade de negócios com a consolidação da BR-440, além do atrativo das vias de acesso, como a Avenida Olegário Maciel, que vai comportar o Solar Street Mall. "Mediante o alto custo na área central, comerciantes estão migrando seus negócios para bairros e áreas do entorno." A busca pelo menor custo e a relação com o benefício são decisivos nesta escolha, avalia.

No ramo residencial, o Alphaville "quebrou paradigmas", define Soares. O empreendimento está 100% pronto e 85% comercializado, informa Márcio Gumiero, um dos coordenadores regionais de vendas. A entrega aconteceu em março. Hoje há cerca de 40 projetos de construção em fase de aprovação pelo empreendimento. Para iniciar as obras, é necessário também o aval da Prefeitura. A expectativa, diz Gumiero, é que as casas sejam iniciadas até o final do ano, com os primeiros moradores chegando ao residencial no segundo semestre de 2015. Conforme o coordenador, os projetos horizontais, por conta da exigência de maior área, requerem distância do Centro, mas a proximidade com vetores de desenvolvimento, visando a assegurar qualidade de vida aos moradores e contribuir para o crescimento e a valorização da cidade. O Alphaville está localizado na BR-040, próximo ao Expominas.