Calor triplica venda de água


Por GRACIELLI NOCELLI

16/10/2014 às 06h00

As altas temperaturas registradas em Juiz de Fora aqueceram também o comércio. Para se refrescarem, os juiz-foranos aumentaram a procura por produtos típicos do calor como água, cerveja, picolés e sorvetes. Em alguns estabelecimentos da cidade, as vendas triplicaram. A expectativa é que os negócios continuem bem nos próximos dias, já que o calor não deve ceder, e a Cesama anunciou ontem o rodízio no abastecimento de água. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na última terça-feira, a cidade registrou a maior temperatura dos últimos 45 anos: 36,2 graus. A previsão é que tempo continue quente ao longo da semana.

Com o calor, a demanda dos consumidores triplicou no Disk Água Zona Norte. “Nas últimas três semanas, os pedidos aumentaram muito”, conta a secretária do estabelecimento, Marisa Dias. A situação é semelhante na Distribuidora de Água Gerais. “A procura é grande tanto pelos galões de 20 litros quanto pelas garrafinhas”, afirma a vendedora Larissa Lobo. O crescimento das vendas em outubro surpreende. De acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Água Mineral (Abinam), o setor tem nos meses entre dezembro e fevereiro o melhor momento de vendas.

Já a Associação Brasileira da Indústria de Sorvetes (Abis) afirma que o melhor período de vendas ocorre entre setembro e março. Segundo a entidade, o consumo do produto no país cresceu 80% nos últimos dez anos, e, hoje, o brasileiro consome, em média, seis litros de sorvete por ano. Nos estabelecimentos de Juiz de Fora, o calor contribui para a concretização das estatísticas. Na sorveteria Bom Clima, o movimento dobrou no último fim de semana. “A demanda deve continuar grande até março”, acredita a atendente Thaís Mendes. Na Sobel, o proprietário José Soares Teixeira tem a mesma expectativa. “Se não tivermos dezembro e janeiro com muitas chuvas, as vendas continuam boas por um bom tempo.”

O calor também pode ser responsável por levantar os índices da venda de cerveja. O setor apresentou queda na produção em agosto e setembro, fazendo com que o terceiro trimestre registrasse redução de 2,1% em relação ao mesmo período de 2013, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Cerveja (CervBrasil). No entanto, a expectativa é que de outubro a dezembro, as vendas melhores. Na cidade, a situação já é animadora. No Disk Breja Gelada, a demanda pela bebida aumentou até 30% este mês. “Pretendemos ampliar o horário de atendimento para conseguir atender os consumidores”, informa a proprietária Vívian Miguel.

Lavagem ecológica

Além das altas temperaturas, Juiz de Fora enfrenta a falta de chuvas. A situação, aliada à preocupação com a escassez de água, propicia o crescimento da procura pelo serviço de lavagem ecológica realizado por lava a jatos da cidade.

Diferente da lavagem comum, na qual se gasta entre 200 e 500 litros de água por veículo, a ecológica utiliza entre 300 ml e um litro. “No período sem chuvas há mais poeira, então há aumento do número de consumidores no estabelecimento. As pessoas também estão mais conscientes sobre a questão da água”, avalia o proprietário do Dry Up, Robson Nascimento Condé. O sócio do Green Car Lavagem Ecológica Automática, José Guilherme Bellini, concorda. “As pessoas estão se sensibilizando com a causa, o que contribuiu para aumentar a procura pelo serviço.” De acordo com ele, de julho para cá, o movimento cresceu 30%. “Sem chuva, os clientes não usam água para lavar o carro.”